Yoga e convivência ajudam idosos a manter movimento, vínculos e qualidade de vida em Erechim
Projeto reúne cerca de 30 participantes por encontro e combina práticas corporais, socialização e orientações para o público 60+
Para quem enfrenta as dores do corpo, manter-se em movimento pode ser um desafio. Para quem também sente falta de companhia, sair de casa pode significar muito mais do que participar de uma atividade: pode ser uma oportunidade de reencontrar pessoas, conversar, fortalecer vínculos e recuperar a disposição para a rotina.
É com essa proposta que o Grupo de Yoga da Associação dos Trabalhadores Aposentados, Pensionistas e Idosos do Alto Uruguai do Rio Grande do Sul (ATAPERS), em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social de Erechim, reúne semanalmente cerca de 30 idosos em atividades que unem práticas corporais, convivência e orientação socioassistencial.

A iniciativa integra uma parceria estabelecida nos termos da Lei Federal nº 13.019/2014, que regulamenta as relações de cooperação entre o Poder Público e organizações da sociedade civil.
MAIS DO QUE EXERCÍCIO: UM ESPAÇO PARA CONVIVER
Os encontros vão além das práticas corporais. As atividades e dinâmicas são conduzidas com acompanhamento de profissional de Serviço Social e buscam fortalecer vínculos, estimular a socialização e contribuir para o bem-estar emocional dos participantes.
Também fazem parte da programação ações relacionadas ao calendário da assistência social, momentos de conscientização, orientações e atendimentos pontuais.

Na prática, o grupo se transforma em um espaço de encontro. Um lugar onde o movimento do corpo divide espaço com as conversas, os sorrisos e a sensação de pertencimento.
Para muitos participantes, essa convivência passa a fazer parte da própria rotina.
“ME SINTO MUITO BEM”
Aos 67 anos, Elione Marlei Antunes de Quadros Schneider encontrou no grupo uma forma de manter-se ativa e, ao mesmo tempo, cuidar da mente e fortalecer os vínculos sociais.

Ela conta que convive com fibromialgia e espondilite anquilosante e percebe redução das dores após participar das atividades.
“Eu me sinto muito bem. O principal benefício é a redução das dores, o que faz com que eu fique mais disposta e com mais vontade de sair e me manter ativa. Também é um grupo de convivência. Venho uma vez por semana, encontro as colegas e distraio um pouco a mente.”
O relato traduz uma das características mais valorizadas pelos participantes: a possibilidade de cuidar de si sem abrir mão da convivência.
MOVIMENTO QUE APROXIMA
A assistente social Clésia Alves da Silva, que acompanha o grupo pela ATAPERS, destaca justamente o papel da convivência na rotina do público 60+.

Segundo ela, os encontros ajudam os participantes a permanecerem ativos e integrados, além de criarem oportunidades para ampliar relações e fortalecer o sentimento de pertencimento.
“Essas atividades ajudam o público 60+ a se manter ativo e integrado à sociedade. O convívio com outras pessoas também é importante, porque os participantes passam a se sentir mais pertencentes aos espaços de convivência.”
Clésia também relata que alguns participantes associam a prática à percepção de melhora nas dores e mencionam mudanças no uso de medicamentos. Esses relatos, porém, são individuais e não representam uma avaliação médica ou comprovação de efeito terapêutico da atividade.
NO INVERNO, O DESAFIO É AINDA MAIOR
Manter uma rotina de atividades pode se tornar mais difícil durante os meses de frio. As baixas temperaturas podem dificultar o deslocamento e fazer com que alguns idosos reduzam a participação em atividades externas.
Mesmo assim, segundo o acompanhamento da equipe, o grupo mantém uma participação significativa.
Ao longo do período de realização das atividades, também são percebidas mudanças na participação das integrantes, tanto na disposição para as práticas corporais quanto na interação e no envolvimento durante os encontros.
AUTONOMIA, SAÚDE E PERTENCIMENTO
Para o secretário de Assistência Social, Leandro Basso, iniciativas como essa cumprem um papel importante na promoção da autonomia e da participação social da população idosa.
“Os espaços de convivência e as atividades voltadas à população idosa são fundamentais, tanto para a prevenção de doenças e o cuidado com a saúde na velhice quanto para a manutenção dos vínculos sociais e da participação comunitária.”
Além das práticas corporais, o grupo oferece um espaço permanente de convivência, troca de experiências e acesso a informações relacionadas à rede socioassistencial.
No fim, a proposta vai além de uma aula de yoga.
É sobre continuar participando. Continuar encontrando pessoas. Continuar movimentando o corpo e, principalmente, manter vivo o sentimento de que cada participante tem seu espaço, sua história e seu lugar na comunidade.
Em Erechim, o projeto mostra que envelhecer com qualidade também passa por movimento, convivência, autonomia e pertencimento.
Fotos: Edson Souza Júnior - SMAS PME