A CIÊNCIA EXPLICA
Tempestade solar deve atingir a Terra após megaerupção registrada no Sol
Material liberado em explosão de classe X8.1 pode chegar ao planeta entre 5 e 6 de fevereiro, com impactos considerados leves
Uma série de fortes erupções solares registradas nos últimos dias colocou cientistas em alerta. Entre os eventos, uma explosão de classe X8.1 — uma das mais intensas da escala — lançou material solar em direção ao espaço e pode provocar efeitos na Terra entre quinta-feira (5) e sexta-feira (6). O fenômeno foi detectado por satélites e centros de monitoramento espacial, após atividade intensa na região solar conhecida como AR 4366.
Nos últimos dias, ao menos cinco erupções de grande porte foram registradas, incluindo eventos das classes X1.0, X2.8, X1.6 e X1.5. A ejeção de massa coronal associada à explosão X8.1 deve provocar uma tempestade geomagnética de nível G1 (considerada fraca), com possibilidade de efeitos leves sobre o campo magnético terrestre e aumento da atividade de auroras em regiões polares.
Especialistas alertam que erupções solares podem interferir em comunicações de rádio, sistemas de navegação e, em situações mais intensas, até em redes elétricas e satélites. Também podem representar risco adicional para astronautas em missão espacial. Modelagens indicam que boa parte do material solar deve passar ao norte e leste do planeta, reduzindo o potencial de impactos mais severos.

A atividade solar deve permanecer elevada nos próximos dias, já que a região AR 4366 segue liberando explosões de alta energia. Centros internacionais de monitoramento espacial continuam acompanhando o fenômeno em tempo real para atualizar previsões e possíveis alertas.
Mancha solar AR 4366
Segundo o astrônomo Thiago Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a mancha AR4366 tem aproximadamente 10 vezes o tamanho da Terra e segue ativa.

É nela que ocorreram as erupções.
Desde que a região da mancha surgiu em 30 de janeiro, foram 21 erupções de classe C, 38 de classe M e 5 de classe X.
O que é uma erupção solar
As erupções solares são comuns e acontecem várias vezes ao ano, embora uma série de explosões fortes da classe X em poucos dias seja pouco observado.
Elas fazem parte da atividade solar. O Sol tem uma atividade magnética, e essas erupções acontecem com uma certa frequência. Isso acontece em particular quando o Sol está mais ativo.
O Sol é regido por um ciclo, que dura em média 11 anos. Durante esse período, o campo magnético do astro-rei se inverte, causando variações, como manchas visíveis e as erupções.
Erupções solares podem ter diversas classes. A X – que pode variar de X.1 para cima (X.2, X.3...) – é a mais severa, com potencial para afetar satélites que estão na órbita da Terra.
Veja a tabela abaixo:
Classe X – São as mais severas, de grande magnitude, podendo interferir em comunicações e com grande quantidade de radiação. Gera auroras intensas. Os números podem variar, de X.1 a X.9, dando uma percepção maior da intensidade.
Classe M – São de tamanho médio, causam breves interrupções na comunicação por rádio e também geram auroras.
Classe C – São pequenas e com poucas consequências perceptíveis na Terra.
Classe B – São 10 vezes menores que as de classe C.
Classe A – São 10 vezes menores que da classe B, sem consequências