Tecnologia acelera recuperação florestal no RS após enchentes
Produção de mudas em Santa Maria pode reduzir regeneração de décadas para poucos anos e reforça ações do Plano Rio Grande
O governo do Estado visitou o Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Florestal para acompanhar a produção de mudas voltadas à recuperação de áreas atingidas pelas enchentes de 2024.
Com uso de tecnologia, o processo pode reduzir o tempo de regeneração florestal de até 30 anos para cerca de cinco a oito anos. A ação integra o Plano Rio Grande e o Projeto Reflora, com participação de órgãos estaduais.
Durante a visita, equipes também realizaram o plantio de sementes nativas e acompanharam a produção de mudas para sistemas agroflorestais.

Recuperação da flora gaúcha
O Reflora prevê a reintrodução de mais de 6 mil mudas de aproximadamente 30 espécies florestais nativas dos biomas Mata Atlântica e Pampa, com o objetivo de recuperar a flora gaúcha impactada pelas enchentes. Na primeira fase do projeto, foi concluída a identificação de árvores matrizes por universidades do Estado. Ao todo, cerca de 290 indivíduos de 29 espécies nativas foram mapeados em 13 municípios: Porto Alegre, Eldorado do Sul, São Jerônimo, Montenegro, Taquari, Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Santa Maria, Faxinal do Soturno, Silveira Martins, Itaara, Dona Francisca e Restinga Seca.

Parte dessas matrizes já passou por processos de enxertia, e a produção será intensificada nos próximos meses. As mudas são desenvolvidas com técnicas como resgate de DNA, enxertia e indução de florescimento precoce, metodologias desenvolvidas pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). A iniciativa tem duração prevista de três anos e investimento privado estimado em R$ 7,5 milhões, envolvendo a articulação entre governo, universidades e setor privado. Além do Ceflor, a produção ocorre em outras estruturas, como o Jardim Botânico de Porto Alegre e viveiros de instituições parceiras.