SUS registra crescimento expressivo nos atendimentos por infertilidade masculina
Registros passaram de 725 em 2015 para 2,5 mil em 2024, segundo dados do Ministério da Saúde
Por RedaçãoPublicado em há 8 horas
O número de atendimentos relacionados à infertilidade masculina no Sistema Único de Saúde (SUS) mais que dobrou nos últimos dez anos, conforme dados do Ministério da Saúde.
Em 2015, foram registrados 725 atendimentos. Já em 2024, o total alcançou 2,5 mil, o maior da série histórica. Em 2025, até setembro, o sistema já havia contabilizado 1,5 mil registros.
As informações incluem atendimentos ambulatoriais e hospitalares lançados nos Sistemas de Informações Ambulatoriais e Hospitalares (SIA e SIH) e não representam, necessariamente, o número de pacientes ou diagnósticos conclusivos, uma vez que uma mesma pessoa pode passar por mais de um atendimento.
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Apesar disso, especialistas apontam que o crescimento está associado a mudanças de comportamento, maior acesso aos serviços de saúde e ao aumento de fatores que impactam negativamente a fertilidade masculina.
Os atendimentos por infertilidade masculina passaram a crescer de forma mais consistente a partir de 2021, com a retomada dos serviços pós-pandemia e a ampliação do acesso à saúde. Especialistas apontam que o aumento também está ligado a fatores como obesidade, sedentarismo, uso de anabolizantes, poluição e o adiamento da paternidade.
A infertilidade é caracterizada pela ausência de gravidez após um ano de relações sem contraceptivos, com investigação antecipada em casos de maior risco. Estudos indicam que o fator masculino está presente em até metade dos casos, e especialistas destacam a importância de incluir o homem desde o início da investigação para evitar atrasos no diagnóstico e no tratamento.
A infertilidade masculina reúne diversas causas clínicas, com destaque para a varicocele, presente em até 40% dos casos e muitas vezes tratável. Especialistas também apontam alterações hormonais, infecções, doenças genéticas e sequelas de tratamentos oncológicos, além de fatores ligados ao estilo de vida e ao ambiente, como obesidade, sedentarismo, tabagismo, álcool, uso de anabolizantes, poluição e exposição ao calor excessivo.
Uma parte significativa da infertilidade masculina pode ser revertida, especialmente quando ligada a causas adquiridas, por meio de tratamentos médicos e mudanças no estilo de vida. Quando essas medidas não são suficientes, recorrem-se às técnicas de reprodução assistida, embora em cerca de 20% dos casos a causa permaneça indefinida.