SUS inicia teleatendimento para tratar compulsão por jogos de apostas
Serviço gratuito anunciado por Alexandre Padilha prevê 600 consultas mensais e pode chegar a 100 mil atendimentos por mês.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou o início do teleatendimento em saúde mental pelo SUS voltado a pessoas com compulsão por jogos de apostas, além de familiares e rede de apoio. O serviço é destinado a maiores de 18 anos.
Realizada em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, pelo Proadi-SUS, a iniciativa prevê inicialmente 600 atendimentos online por mês, com possibilidade de ampliação conforme a demanda, podendo chegar a 100 mil mensais.

As consultas são gratuitas, confidenciais e feitas por vídeo, com duração média de 45 minutos. O acompanhamento pode incluir até 13 sessões por paciente, conduzidas por equipe multiprofissional com apoio psiquiátrico e integração com serviços locais de saúde.
O acesso ao teleatendimento para compulsão por jogos é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital. Após login com a conta gov.br, o usuário deve entrar em “Miniapps” e selecionar “Problemas com jogos de apostas?”, onde realiza um autoteste validado por especialistas.
Se houver risco moderado ou alto, o encaminhamento ao atendimento online é automático. Em casos leves, o app orienta a procurar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), como CAPS e UBS. O aplicativo também oferece informações de prevenção, e a Ouvidoria do SUS presta orientações pelo telefone 136 e canais digitais, seguindo a LGPD.
Estudo recente aponta que as apostas geram perdas econômicas e sociais estimadas em R$ 38,8 bilhões por ano no país.
Segundo Alexandre Padilha, o Ministério da Saúde está capacitando profissionais para o atendimento a pessoas com compulsão por jogos, em parceria com a Fiocruz. Foram ofertadas 20 mil vagas, com 13 mil inscritos e 1,5 mil já formados, podendo haver ampliação.
O objetivo é tratar os casos, sempre que possível, por meio do teleatendimento ou encaminhar pacientes à Rede de Atenção Psicossocial. A iniciativa integra a Linha de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, que inclui orientações clínicas específicas.
Dentro do conjunto de ações do governo federal para prevenir e auxiliar na compulsão por apostas online, há também a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, para o bloqueio de sites de apostas, disponível desde dezembro passado. A ferramenta permite ao apostador que deseja interromper o vício, solicitar ser bloqueado dos sites de apostas, além de deixar seu CPF indisponível para novos cadastros ou para o recebimento de publicidade das bets. Pela plataforma, é possível escolher por quanto tempo o apostador deseja bloquear os sites de aposta: dois meses, seis meses, ou indeterminado. O cadastro pode ser feito pelo endereço eletrônico gov.br/autoexclusaoapostas, utilizando conta gov.br de nível prata ou ouro.
“Mais de 300 mil pessoas já estão se tratando ao se autoexcluir, reduzindo a exposição a esse risco, inclusive com bloqueio das propagandas. E a maioria das pessoas que acessou a plataforma selecionou o bloqueio por tempo indeterminado", aponta Padilha.
Ele destaca que, quando o usuário se autoexclui, por meio do CPF é possível saber qual é o cartão SUS dele e se frequenta alguma Unidade Básica de Saúde.