SAÚDE

Seu filho pisca menos quando usa o celular? O hábito pode estar afetando os olhos

Uso prolongado de celulares, tablets e computadores pode reduzir a frequência do piscar e favorecer o olho seco, problema cada vez mais observado entre crianças e adolescentes

Por Redação/Agência Brasil Publicado em 10/09/2026 15:14 - Atualizado em 10/09/2026 15:17

Pode parecer apenas mais algumas horas diante do celular. Mas, enquanto a criança ou o adolescente está concentrado na tela, um hábito simples e involuntário muda: ele pisca menos. E essa redução pode ter consequências para os olhos.

O uso excessivo de celulares, tablets e computadores vem sendo associado ao aumento de casos de olho seco entre crianças e adolescentes, condição provocada pela lubrificação inadequada da superfície ocular. O problema ocorre quando há produção insuficiente de lágrimas ou quando elas evaporam rapidamente.

Imagem de Sunrise por Pixabay

O resultado pode aparecer no dia a dia por meio de sintomas que muitas vezes são confundidos com cansaço: sensação de areia nos olhos, ardência, coceira, vermelhidão, desconforto e visão embaçada.

Por que o celular pode piorar o problema?

Segundo a oftalmologista Ana Paula Silverio, o principal fator é justamente a diminuição do piscar.

Quando permanecemos concentrados por muito tempo diante de uma tela, especialmente quando ela está muito próxima do rosto, piscamos menos. Com isso, as lágrimas evaporam mais rapidamente e a superfície dos olhos fica ressecada.

O problema tem aparecido cada vez mais nos consultórios de oftalmologia pediátrica.

“As mães trazem a criança ou o adolescente com essa queixa, que começou a piscar mais, além de uma sensação de desconforto”, relatou a especialista durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador.

Adolescentes estão entre os mais expostos

O alerta ganha ainda mais importância entre adolescentes, que costumam passar várias horas do dia conectados.

Além dos estudos em tablets e computadores, o celular ocupa boa parte do tempo livre. E existe outro agravante: muitas vezes o aparelho é usado dentro do quarto, em ambientes com pouca ou nenhuma iluminação.

A oftalmologista destaca que, diferentemente das crianças menores, que ainda mantêm outras formas de brincar e se distrair, os adolescentes podem permanecer longos períodos praticamente concentrados no celular.

“A gente vive essa era. Só se a gente mandar uma criança ou adolescente pra Marte, pra que ele não tenha contato com o celular. Mas temos sim que tentar diminuir o tempo de uso”, afirmou.

Quanto tempo de tela é recomendado?

A orientação não é simplesmente eliminar a tecnologia da rotina, mas estabelecer limites e estimular pausas.

Para crianças acima de 6 anos e adolescentes, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda até duas horas diárias de uso de telas, considerando a necessidade de equilíbrio com sono, atividades físicas, estudos, convivência familiar e outras atividades.

📱 O celular faz parte da rotina. Mas os olhos também precisam de descanso.

Para os pais, o alerta é simples: se a criança ou o adolescente passou a piscar excessivamente, reclamar de ardência, coceira, sensação de areia, vermelhidão ou visão embaçada, vale ficar atento e procurar avaliação oftalmológica.