Para Fábio Trujilho, da Abeso, o sono inadequado também contribui para o excesso de peso, pois aumenta a resistência à insulina e desregula hormônios da fome e saciedade. Pela primeira vez, a Vigitel avaliou o tema e apontou que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite e 31,7% relatam sintomas de insônia. (Com informações de O Globo)
RS tem três cidades entre as 10 com maior índice de obesidade do país
Estado aparece em ranking nacional enquanto obesidade cresce 118% no Brasil e já atinge 1 em cada 4 adultos.
A obesidade no Brasil cresceu 118% entre 2006 e 2024 e já atinge 25,7% dos adultos — o equivalente a 1 em cada 4 brasileiros, segundo a pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde. Considerando o sobrepeso, o índice chega a 62,6% da população. Dados de 2025 do Sisvan indicam cenário ainda mais grave: 36,3% dos adultos atendidos na atenção primária do SUS têm obesidade e 70,9% estão acima do peso.
Entre as dez cidades com maiores índices de obesidade, três ficam no Rio Grande do Sul, três em São Paulo, duas no Paraná, uma em Santa Catarina e uma na Paraíba.
Veja o ranking:
* Lupércio (SP) – 66,67% de obesidade entre adultos;
* Herculândia (SP) – 64,71% de obesidade entre adultos;
* São José do Bonfim (PB) – 61,63% de obesidade entre adultos;
* Marquês de Souza (RS) – 60,53% de obesidade entre adultos;
* Riversul (SP) – 60,41% de obesidade entre adultos;
* Planalto Alegre (SC) – 60,27% de obesidade entre adultos;
* Riozinho (RS) – 60% de obesidade entre adultos;
* Rancho Alegre (PR) – 59,65% de obesidade entre adultos;
* Quinta do Sol (PR) – 59,62% de obesidade entre adultos;
* Jaboticaba (RS) – 59,34% de obesidade entre adultos.
Especialistas apontam que a doença é crônica, multifatorial e sem cura, sendo impulsionada principalmente pelo aumento no consumo de alimentos ultraprocessados e pela redução de itens in natura, como arroz, feijão, frutas e verduras.
Os ultraprocessados, que passam por diversos processos industriais, com adição de químicos e aditivos, e têm baixíssimo valor nutricional, favorecem o consumo excessivo de calorias por características como a alta densidade energética e a hiperpalatabilidade, além de interferirem nos mecanismos biológicos de saciedade do corpo.

A pesquisa também mostra queda no consumo regular de feijão e baixo índice de ingestão adequada de frutas e hortaliças. Paralelamente, menos da metade dos brasileiros pratica atividade física no lazer, e 20,2% dormem menos de seis horas por noite — fatores que contribuem para o avanço contínuo da obesidade no país.
Segundo a Vigitel, apenas 42,3% dos brasileiros praticam atividade física no lazer e menos de 12% se exercitam no trajeto para o trabalho ou escola. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Neuton Dornelas, a obesidade é de difícil controle por ter múltiplas causas, como sedentarismo e hábitos de vida modernos.