Projeto quer levar prevenção à violência contra a mulher para as escolas de Erechim

Proposta apresentada pela vereadora Enfermeira Éclesan Palhão durante o Agosto Lilás prevê ações educativas sobre respeito, consentimento, relações saudáveis e identificação da violência desde a infância.

Por Carla Emanuele/Ascom Câmara de Vereadores Publicado em 12/08/2026 15:41 - Atualizado em 12/08/2026 15:43

E se o enfrentamento à violência contra a mulher começasse antes da denúncia, antes da medida protetiva e antes da primeira agressão?
É com essa proposta que a vereadora Enfermeira Éclesan Palhão (MDB) apresentou, durante o Agosto Lilás, um projeto que autoriza o Município de Erechim a instituir, na Educação Básica, a Política Municipal de Prevenção e Enfrentamento à Violência contra a Mulher.

A iniciativa nasce diante de números que mostram a urgência de ampliar as estratégias de enfrentamento. Nos primeiros seis meses de 2026, o Rio Grande do Sul chegou a 48 feminicídios e 25.201 registros relacionados aos principais indicadores de violência contra a mulher. Em Erechim, no mesmo período, foram registrados 220 casos de ameaça, 105 de lesão corporal, 11 estupros e uma tentativa de feminicídio.

Para Éclesan, além de acolher as vítimas, proteger as mulheres e responsabilizar os agressores, é preciso avançar em uma frente fundamental: a prevenção.
“Se continuarmos agindo somente depois que a violência acontece, quando conseguiremos realmente mudar essa realidade? Precisamos entrar antes. Antes da agressão, antes da ameaça, antes que comportamentos violentos sejam entendidos como normais. E a Educação pode ser uma grande virada de chave”, destaca.

A proposta prevê que temas como respeito, limites, consentimento, igualdade, relações saudáveis e identificação das diferentes formas de violência possam ser trabalhados de maneira adequada à idade dos estudantes, de forma transversal e interdisciplinar, respeitando a autonomia pedagógica das escolas.
Um dos pontos centrais é que a prevenção não seja direcionada somente às meninas. O projeto também propõe ações com o público masculino, trabalhando, desde a infância, o respeito às mulheres, os limites, o consentimento e a não violência.

“Não conseguiremos enfrentar a violência contra a mulher conversando somente com as mulheres. Precisamos ensinar nossas meninas a reconhecer os primeiros sinais de uma relação abusiva, mas também precisamos educar nossos meninos para que se tornem homens que saibam respeitar limites, escolhas e um não.”
A importância da construção conjunta da proposta também ficou demonstrada durante a sessão, que contou com a presença do comandante do 13º BPM, tenente-coronel Maurício Paraboni Detoni; do promotor de Justiça Fabrício Gustavo Allegretti; de Sérgio Luís Moreira Moura, comissário de polícia; e da secretária municipal de Educação, Verenice Lipsch (Maninha).

Éclesan fez um agradecimento especial a Sérgio, que realizou a ponte com a delegada Diana Zanatta, e à secretária Maninha, que contribuíram com seus conhecimentos para o aprimoramento e a construção do projeto.
Para a vereadora, a proposta busca deixar um resultado que ultrapasse o presente e alcance as próximas gerações.

“Talvez nunca consigamos medir quantas agressões deixaram de acontecer porque ensinamos respeito antes que a violência começasse. Mas esse é exatamente o objetivo da prevenção: agir antes. Se queremos mudar os números que hoje nos assustam, precisamos começar agora a construir os números que queremos ver no futuro.”