Prejuízo dos Correios dispara e ultrapassa R$ 8,5 bilhões em 2025
Rombo mais que triplica em um ano, pressionado por ações judiciais e queda de receita, enquanto estatal recorre a empréstimos para enfrentar a crise.
Os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, mais que o triplo do resultado negativo de 2024. O rombo foi puxado principalmente por despesas com processos judiciais, que somaram R$ 6,4 bilhões, além do aumento dos custos operacionais.

A estatal também teve queda de receita, que chegou a R$ 17,3 bilhões, e acumula 14 trimestres consecutivos de resultados negativos desde 2022. Para enfrentar a crise, recorreu a empréstimos que totalizam R$ 12 bilhões, mas ainda enfrenta dificuldades para equilibrar receitas e despesas.
O prejuízo dos Correios ocorre em meio a mudanças estruturais no setor, com o avanço do comércio eletrônico criando redes logísticas próprias e reduzindo a dependência da estatal. Além disso, a queda no envio de cartas — resultado da digitalização das comunicações — também impacta o negócio.
Para tentar reverter o cenário, a empresa iniciou um processo de reestruturação sob nova gestão, incluindo programas de demissão voluntária. Mais de 3 mil funcionários aderiram ao PDV neste ano, embora o número tenha ficado abaixo da edição anterior, e novos cortes ainda podem ocorrer.
Os Correios vêm adotando medidas para reduzir custos, como ajustes nas operações, renegociação de dívidas e corte de despesas com imóveis e agências. A expectativa da gestão é retomar resultados positivos a partir de 2027 e ampliar a captação de recursos.
O presidente Emmanoel Rondon descarta a privatização da estatal, apostando na reestruturação como caminho para a recuperação financeira.