Porto Seco em Erechim: a obra mais importante dos próximos 100 anos da região Norte do RS

Debate reuniu autoridades, empresários e representantes regionais para discutir os impactos econômicos, logísticos e estratégicos da implantação do Porto Seco, considerado um passo decisivo para o desenvolvimento do Norte do RS.

Por Assessoria Publicado em há 9 horas

A implantação de um Porto Seco em Erechim começou a ganhar forma concreta nesta segunda-feira (11), durante audiência pública realizada na Câmara Municipal de Vereadores. Promovido pela Comissão de Economia, Trabalho, Desenvolvimento Sustentável e Turismo da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o encontro reuniu lideranças políticas, representantes do setor produtivo, entidades empresariais, prefeitos, vereadores, especialistas e membros da comunidade regional para discutir os impactos econômicos, logísticos e estruturais da proposta para Erechim e todo o Norte do Estado.

A audiência foi proposta pelo deputado estadual Paparico Bacchi, que vem articulando o tema junto a órgãos federais, lideranças regionais e representantes técnicos ligados à área de comércio exterior e logística. A pauta começou a ser construída a partir de agendas realizadas em Brasília pelo parlamentar, que esteve reunido com José Carlos Polidoro e com o doutor Sidiney Souza, aprofundando estudos técnicos e discutindo o potencial da região para receber uma Estação Aduaneira do Interior (EADI), conhecida como Porto Seco.

Durante participação virtual na audiência, José Carlos Polidoro destacou o potencial econômico do Rio Grande do Sul e da região Norte, afirmando que a mobilização iniciada em Erechim representa um passo importante para consolidar o projeto e iniciar um processo estruturado de implantação da proposta. Na sequência, Sidiney Souza apresentou dados técnicos sobre o funcionamento de portos secos, os impactos econômicos desse tipo de estrutura e os caminhos necessários para sua implementação. A apresentação destacou que Erechim possui localização estratégica no Norte gaúcho, forte presença industrial e agroindustrial e capacidade de integração logística com diferentes regiões do Estado e do país. Entre os principais benefícios apontados estão a redução de custos logísticos, maior agilidade nos processos de importação e exportação, diminuição da burocracia operacional, fortalecimento da competitividade das empresas locais e atração de novos investimentos industriais.

Atualmente, grande parte das empresas da região depende de estruturas localizadas a centenas de quilômetros para realizar operações aduaneiras, especialmente do Porto de Rio Grande, distante mais de 600 quilômetros de Erechim. Com um Porto Seco instalado no município, empresas poderiam realizar desembaraço aduaneiro, armazenamento, movimentação e distribuição de cargas diretamente na região, reduzindo custos operacionais, tempo de deslocamento e perdas logísticas. A proposta também amplia a capacidade de inserção das empresas locais nos mercados nacional e internacional, fortalecendo cadeias produtivas ligadas à indústria, agronegócio e comércio exterior.

Durante sua manifestação, Paparico Bacchi afirmou que a discussão vai além de uma obra logística e representa uma estratégia regional de desenvolvimento econômico para as próximas décadas. Segundo ele, Erechim já se consolidou como um importante polo econômico do interior gaúcho, mas precisa avançar em infraestrutura para continuar crescendo de forma competitiva.

“O Porto Seco será um diferencial para ampliar nossa competitividade, reduzir custos logísticos e conectar ainda mais a produção regional aos mercados nacionais e internacionais”, afirmou o parlamentar.

Paparico também destacou que o projeto nasce de uma construção coletiva e regional, baseada na união das lideranças locais em torno de pautas estruturantes. “Nós já vencemos desafios importantes quando estivemos unidos. Foi assim em obras de integração regional, na luta por infraestrutura e em tantas outras conquistas. O Porto Seco é mais um projeto pensado para o futuro da nossa região”, declarou.

Ao longo da audiência, lideranças regionais reforçaram o caráter histórico da mobilização. O empresário Júlio Branchieri destacou que o projeto poderá representar uma transformação estrutural para Erechim e região. Segundo ele, “essa é a obra mais importante dos próximos cem anos para Erechim e para o Alto Uruguai”.

Na mesma linha, o presidente da Associação dos Municípios do Alto Uruguai (AMAU) e prefeito de Centenário, Genoir Marcos Florek, afirmou que a implantação do Porto Seco representa uma das pautas mais relevantes já debatidas pela região. “Essa é a obra mais importante dos cem anos que passaram e dos próximos cem anos que virão”, ressaltou.

Um dos principais encaminhamentos da audiência foi a criação da Comissão de Acompanhamento para Instalação do Porto Seco de Erechim, grupo que ficará responsável por conduzir os próximos passos da mobilização regional e ampliar as articulações institucionais em torno do projeto. A comissão será presidida pelo presidente do SINDILOJAS Alto Uruguai e vice-presidente da Fecomércio-RS, José Gelso Miola, tendo como vice-presidente o vice-prefeito de Erechim, Flávio Augusto Tirello.

Ao aceitar a coordenação do grupo, Miola classificou a audiência como um momento histórico para Erechim e destacou que a proposta tem potencial para transformar a economia regional nas próximas décadas. “Esse é um dia histórico para Erechim. Tenho certeza de que será lembrado por muito tempo. O Porto Seco vai escrever um novo momento na nossa história”, afirmou.

Em sua manifestação, Miola também ressaltou a capacidade de mobilização regional em torno de grandes projetos e lembrou conquistas obtidas a partir da união entre municípios, entidades e lideranças políticas. “Nós somos muito fortes quando estamos unidos. Já demonstramos isso em outras grandes conquistas da nossa região e vamos demonstrar novamente na luta pela implantação do Porto Seco”, declarou.

Entre os próximos encaminhamentos definidos durante a audiência está a discussão sobre o modelo de implantação do Porto Seco em Erechim. A comissão recém-formada deverá aprofundar o debate técnico e jurídico para definir se o empreendimento será estruturado por meio de investimento público, iniciativa privada ou em formato de parceria entre os setores.

Outro ponto que passará a ser debatido pelo grupo é a contratação do projeto técnico da estrutura. A avaliação envolve a possibilidade de elaboração pelos órgãos públicos ou pela iniciativa privada, alternativa que poderá acelerar os estudos e dar mais celeridade ao processo de implantação do empreendimento.

Atualmente, embora o Rio Grande do Sul conte com estruturas consolidadas, como o Porto Seco de Uruguaiana, voltado ao fluxo internacional de cargas na fronteira com países do Mercosul, o Norte gaúcho ainda não possui uma estrutura logística voltada diretamente ao atendimento de sua cadeia produtiva. A expectativa das lideranças envolvidas é de que a mobilização iniciada a partir da audiência pública fortaleça o projeto e consolide Erechim como um dos principais polos logísticos e industriais do interior do Estado.

Participaram da audiência o vice-prefeito de Erechim, Flávio Augusto Tirello; o prefeito de Getúlio Vargas, Paulo Prezzotto; o presidente da Associação dos Municípios do Alto Uruguai (AMAU) e prefeito de Centenário, Genoir Marcos Florek; a gerente regional da EMATER/RS-ASCAR Erechim, Fernanda Tacca Angonese; a presidente da CDL Erechim, Débora Balbinotti Lunardi; o representante da Rádio Tchê Erechim, Claudir Zin; o secretário municipal da Agricultura e Meio Ambiente de Áurea, Jucemar Antonio Woitysiak; os vereadores de Erechim Juares Bernardi, Gustavo Zin Farina, Clairton Isidoro Balen e Rony Gabriel; a vereadora de Barão de Cotegipe, Carmen Rodrigues Dassoler; o presidente da Câmara Municipal de Erechim, Carlos Antônio Zanini; o diretor do Colégio Agrícola Estadual Ângelo Emílio Grando, Orlando Luis Klimaczewski; o assessor de Agronegócio, Clodomir de Almeida; além de empresários, lideranças regionais, representantes de entidades e membros da comunidade que acompanharam o debate.