ELEIÇÕES 2026 | INVESTIGAÇÃO
PF encerra apuração preliminar sobre suspeita de interferência dos EUA nas eleições brasileiras
Polícia Federal decidiu não avançar com investigação solicitada pela AGU após reportagem sobre financiamento americano a grupos críticos ao STF
A Polícia Federal decidiu encerrar a apuração preliminar sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. O procedimento havia sido iniciado após uma representação da Advocacia-Geral da União (AGU), motivada por informações sobre recursos do governo americano destinados a organizações que questionam a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).

A análise não resultou na abertura de inquérito policial. A decisão ocorre poucos dias depois do primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4), quando o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, havia confirmado publicamente a existência de uma apuração inicial.
Na ocasião, Rodrigues explicou que a representação da AGU havia sido encaminhada à Diretoria de Inteligência da corporação. O objetivo era verificar se existiam elementos que justificassem uma investigação formal sobre interferência estrangeira no processo eleitoral.
Financiamento de R$ 5 milhões motivou suspeitas
O caso ganhou repercussão após o jornal britânico The Guardian divulgar informações sobre um projeto do Departamento de Estado americano denominado “Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil”.
Segundo a publicação, a iniciativa previa aproximadamente US$ 1 milhão, cerca de R$ 5 milhões, para organizações que se posicionam contra o que consideram abusos do Poder Judiciário e práticas de censura atribuídas ao STF.
Os recursos integrariam um pacote internacional de US$ 175 milhões voltado a projetos financiados por um fundo de direitos humanos do governo americano.
A divulgação levou a AGU a solicitar uma avaliação da Polícia Federal. A preocupação apresentada pelo governo brasileiro era a possibilidade de que recursos estrangeiros fossem utilizados para influenciar o ambiente político nacional durante o período eleitoral.
O financiamento de organizações críticas ao Judiciário, entretanto, não constitui, por si só, prova de interferência eleitoral. A existência de eventual irregularidade dependeria da identificação de condutas concretas e de elementos que justificassem uma investigação criminal.
Relação entre Brasil e Estados Unidos já enfrentava tensões
O episódio ocorre em meio a divergências entre os governos brasileiro e americano envolvendo decisões do Supremo Tribunal Federal.
Em julho de 2025, os Estados Unidos impuseram sanções ao ministro Alexandre de Moraes com fundamento na Lei Magnitsky, instrumento utilizado pelo governo americano para aplicar restrições a estrangeiros. A medida ocorreu em meio às críticas de Washington à atuação do magistrado em processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
As sanções foram posteriormente revogadas, em dezembro daquele ano.
Com o encerramento da análise preliminar pela Polícia Federal, o pedido apresentado pela AGU não avançou para um inquérito formal. A decisão, porém, não representa uma conclusão sobre a legitimidade política do financiamento americano, mas o resultado da avaliação policial quanto à existência de elementos para uma investigação criminal.