ELEIÇÕES 2026
Pela primeira vez na era das urnas eletrônicas, votação é prorrogada em todo o Brasil
Decisão do ministro Cristiano Zanin atendeu a pedidos das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, após relatos de dificuldades no transporte de eleitores e problemas provocados pelo mau tempo.
O segundo turno das eleições presidenciais deste domingo (25) teve uma mudança excepcional no horário de votação. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação do atendimento aos eleitores em todo o país, após solicitações apresentadas pelas campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo as informações divulgadas, é a primeira vez, desde a introdução das urnas eletrônicas nas eleições brasileiras, em 1996, que uma medida dessa natureza é adotada em âmbito nacional. A decisão, no entanto, estabelece uma condição importante: a prorrogação vale apenas para as seções eleitorais que ainda estavam abertas, não autorizando a reabertura daquelas que já haviam encerrado os trabalhos.
Os pedidos das duas candidaturas tiveram motivações diferentes.
A campanha de Lula alegou dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar aos locais de votação, especialmente em razão da oferta insuficiente de transporte coletivo. Inicialmente, o pedido abrangia São Paulo (SP) e três municípios baianos: Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana.
Já a campanha de Flávio Bolsonaro solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a ampliação do horário em cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. A justificativa foi o impacto das condições meteorológicas adversas, com registros de chuva intensa, alagamentos, deslizamentos e bloqueios de estradas que teriam prejudicado o deslocamento dos eleitores.
Diante das solicitações, Zanin decidiu pela extensão do horário em âmbito nacional, buscando assegurar a participação dos eleitores que enfrentaram dificuldades para exercer o direito ao voto.
Medida é diferente do que ocorreu em eleições anteriores
Embora problemas de transporte, filas e atrasos não sejam novidade nas eleições brasileiras, a solução adotada neste domingo representa uma mudança em relação aos procedimentos utilizados em pleitos anteriores.
Em 2022, por exemplo, a campanha de Lula solicitou a prorrogação da votação após denúncias de operações da Polícia Rodoviária Federal no Nordeste que estariam dificultando o deslocamento de eleitores. O pedido foi negado pelo então presidente do TSE, Alexandre de Moraes.
Nas eleições municipais de 2020, durante a pandemia de Covid-19, também houve uma alteração no funcionamento das seções eleitorais. Naquele ano, a votação começou mais cedo, às 7h, e terminou às 17h, como medida preventiva para reduzir aglomerações.
Em situações de atrasos pontuais, o procedimento tradicional da Justiça Eleitoral é distribuir senhas aos eleitores que já estão na fila no horário de encerramento. Dessa forma, essas pessoas podem votar mesmo depois das 17h, sem que isso represente uma ampliação geral do período de votação.
A determinação deste domingo se diferencia justamente pela abrangência nacional.
Prorrogação busca garantir o direito ao voto
A medida ocorre em uma eleição presidencial disputada e em um dia marcado por dificuldades de deslocamento em diferentes regiões do país.
Para os eleitores, a principal distinção está no funcionamento das seções: a decisão não significa que todos os locais de votação permanecerão abertos automaticamente, mas que o atendimento poderá continuar nas condições estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
O episódio passa a integrar a história das eleições brasileiras como uma decisão excepcional, adotada durante o segundo turno presidencial de 2026.
Nota de checagem editorial: O texto foi reescrito com base nas informações fornecidas, mas a decisão judicial e sua abrangência ainda precisam ser confirmadas em comunicado oficial do TSE ou do STF antes da publicação. Também há uma correção histórica importante: as urnas eletrônicas começaram a ser utilizadas nas eleições brasileiras em 1996, e não em 1994.