ECONOMIA
Patrícia Palermo analisa cenário econômico e aponta caminhos para empresas em palestra em Erechim
Economista-chefe da Fecomércio-RS apresentou perspectivas para a economia, destacou desafios e orientou empresários sobre gestão, consumo e adaptação às mudanças
Empresários, empreendedores e lideranças de Erechim e região participaram, na noite desta terça-feira (11), da palestra “Cenário Econômico Atual & Perspectivas: Certezas & Incertezas”, ministrada pela economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo.

O encontro foi realizado no Clube do Comércio e promovido pelo Sindilojas Alto Uruguai, CDL Erechim e ACCIE, em parceria com a Fecomércio-RS, com o objetivo de ampliar a compreensão sobre o momento econômico e contribuir para decisões estratégicas no ambiente empresarial.
Na abertura, os representantes das entidades destacaram a importância da informação e da atuação conjunta diante dos desafios enfrentados pelo setor produtivo.

O vice-presidente do Sindilojas Alto Uruguai, Roberto Fabiani, chamou atenção para as incertezas econômicas e políticas e para a necessidade de compreender o cenário antes de tomar decisões. A presidente da CDL Erechim, Débora Balbinotti Lunardi, ressaltou que oferecer conhecimento aos associados é uma forma de auxiliar os empresários a corrigir rotas e tomar decisões mais assertivas.

Já o presidente da ACCIE, Darlan Dalla Roza, citou os juros elevados, a reforma tributária e o período eleitoral entre os fatores que exigem atenção e defendeu a busca por alternativas para manter, fortalecer e ampliar os negócios.
CONECTA IN LAB APROXIMA EMPRESAS DE SOLUÇÕES INOVADORAS
Antes da palestra, o coordenador do Lab Fecomércio-RS, Gelson Junqueira, e Juliana Marcon apresentaram o Conecta in Lab, iniciativa voltada à aproximação entre empresas dos setores de comércio de bens, serviços e turismo e soluções inovadoras.

O programa realiza diagnósticos para identificar necessidades dos negócios e conectá-los a alternativas que possam contribuir para o aprimoramento de processos e resultados.
CENÁRIO EXIGE COMPREENSÃO E CAPACIDADE DE ADAPTAÇÃO
Ao iniciar sua apresentação, Patrícia Palermo destacou que a proposta era oferecer uma visão realista do cenário econômico e mostrar como empresas e pessoas podem se preparar diante das mudanças. Segundo a economista, compreender a conjuntura não significa ter condições de modificá-la, mas permite antecipar consequências e adaptar estratégias. “Quando a gente entende o cenário econômico, a gente não pode alterá-lo. Mas consegue entendê-lo e, com isso, consegue se adaptar. E, se adaptando, sofre menos”, afirmou.
Na análise internacional, Patrícia abordou as transformações ocorridas desde a pandemia, a desaceleração do crescimento mundial, os conflitos geopolíticos, a elevação dos preços da energia, o avanço do protecionismo comercial e o endividamento dos governos. A economista também chamou atenção para os investimentos em inteligência artificial e para as incertezas sobre a capacidade de os ganhos de produtividade acompanharem o elevado volume de recursos direcionados ao setor.
BRASIL PASSA POR PROCESSO DE DESACELERAÇÃO
Ao analisar a economia brasileira, Patrícia afirmou que o País atravessa um processo de desaceleração. Conforme os dados apresentados, o PIB cresceu 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025, enquanto a estimativa apresentada para 2026 ficou em torno de 1,8%. Para ela, a principal dúvida está no ritmo dessa desaceleração.

“A gente não tem dúvida de que está num processo de desaceleração. Mas a gente está em dúvida no ritmo da desaceleração”, explicou.
A economista ressaltou, entretanto, que desaceleração não significa recessão. A economia continua crescendo, mas em velocidade menor, o que aumenta a disputa das empresas pelo mercado. Nesse cenário, segundo Patrícia, os negócios precisam buscar diferenciais e compreender melhor seus concorrentes e consumidores. “Se a gente quiser crescer, não tem que ser só melhor que nós mesmos, tem que ser melhor do que quem está do lado da gente”, afirmou.
Entre os principais fatores de limitação da atividade econômica estão os juros elevados. Patrícia lembrou que a taxa básica chegou a 15% ao ano e observou que, mesmo com uma perspectiva de redução, deverá permanecer em patamar elevado. Inflação, petróleo, clima, energia e câmbio também foram apontados como elementos que podem influenciar o ambiente econômico e exigir atenção dos empresários.
MERCADO DE TRABALHO E CONSUMO
O mercado de trabalho também foi analisado durante a palestra. Patrícia destacou a baixa taxa de desocupação e a dificuldade enfrentada pelas empresas para encontrar trabalhadores. Mudanças demográficas, novas modalidades de trabalho e o elevado nível de ocupação ajudam a explicar esse cenário, que, segundo ela, tem entre as consequências o aumento da rotatividade, a pressão sobre os salários e a necessidade crescente de qualificação das equipes.
Apesar do elevado nível de ocupação e da massa salarial, a economista observou que o consumo não cresce na mesma proporção. Entre os fatores apontados estão a carga tributária, o endividamento das famílias, os gastos com apostas e a parcela da renda comprometida com dívidas. Para as empresas, compreender esse comportamento é fundamental para ajustar produtos, preços, estratégias comerciais e formas de relacionamento com os consumidores.

O QUE ESTÁ NAS MÃOS DAS EMPRESAS
Na parte final da palestra, Patrícia direcionou a análise para os fatores que estão sob controle dos próprios empresários. Em um cenário macroeconômico que afeta todos os negócios, segundo ela, podem fazer diferença a qualidade da gestão, o domínio dos números da empresa e a capacidade de interpretar as mudanças no comportamento dos consumidores.
Entre as transformações apontadas está o envelhecimento da população. Conforme os dados apresentados, 16% dos brasileiros têm mais de 60 anos. No Rio Grande do Sul, essa participação chega a 21,2%. Patrícia chamou atenção para o potencial desse público, que apresenta maior ticket médio e maior fidelidade aos estabelecimentos, além de demandar produtos, serviços e atendimento adequados às suas necessidades.
Outro comportamento destacado foi a crescente presença dos animais de estimação na vida das famílias. Para a economista, mesmo empresas que não atuam diretamente no segmento pet precisam compreender essa transformação e avaliar de que forma ela influencia as escolhas e a experiência dos consumidores.
Patrícia também defendeu contratações mais assertivas, treinamento permanente das equipes, equilíbrio entre produtos de giro e de margem, vendas ativas e presença eficiente nos canais digitais. Sobre tecnologia, a orientação foi para que sua utilização tenha objetivos claros: reduzir custos, aumentar receitas ou melhorar processos, sem criar dificuldades para o consumidor.
GESTÃO DE CAIXA, RESERVAS E CRÉDITO
Para os próximos períodos, a economista recomendou atenção especial ao fluxo de caixa, preparação para as mudanças provocadas pela reforma tributária, formação de reservas financeiras e utilização estratégica do crédito. Ao abordar a necessidade de preparação para situações inesperadas, Patrícia resumiu a ideia com a frase: “Improvável é diferente do impossível”.
Na conclusão, a economista ressaltou que o Brasil já enfrentou crises mais severas e que parte importante da capacidade de superar períodos difíceis está dentro das próprias empresas. A orientação foi para que os empresários mantenham atenção aos fundamentos da gestão e busquem oportunidades de melhorar resultados mesmo em cenários adversos. “Todo mundo tem onde pode enxugar, todo mundo tem onde pode potencializar o seu resultado. O básico bem feito ainda dá muito, mas muito resultado de verdade”, concluiu.
Ao final do encontro, Roberto Fabiani, Débora Balbinotti Lunardi e Darlan Dalla Roza entregaram uma lembrança institucional a Patrícia Palermo, em agradecimento pela participação na programação promovida pelas entidades empresariais de Erechim.