COMBATE AO TRÁFICO HUMANO

Operação identifica 42 estrangeiros submetidos a trabalho análogo à escravidão no Norte do RS

Trabalhadores eram recrutados com falsas promessas de emprego e submetidos a jornadas de até 12 horas, alojamentos precários e descontos abusivos; ações ocorreram em quatro municípios da região.

Por Redação/ Assessoria Publicado em 27/10/2026 14:06 - Atualizado em 27/10/2026 14:29

Uma operação conjunta da Polícia Civil, Ministério Público do Trabalho (MPT) e Ministério do Trabalho identificou 42 trabalhadores estrangeiros submetidos a condições análogas à escravidão no Norte do Rio Grande do Sul. As ações ocorreram entre os dias 19 e 23 de outubro, nos municípios de Aratiba, Três Arroios, Severiano de Almeida e Getúlio Vargas. As investigações apontam a existência de uma rede criminosa responsável por recrutar estrangeiros com falsas promessas de emprego e renda para trabalhar na colheita de frutas cítricas na região.

A investigação começou no dia 19, quando policiais civis da Operação Nacional Protetor das Divisas encontraram oito trabalhadores, sendo sete estrangeiros e um brasileiro, alojados em duas residências improvisadas na Linha Três Barras, interior de Aratiba. Segundo os relatos, as vítimas eram atraídas por promessas de bons salários, moradia, alimentação e transporte gratuitos. Ao chegarem ao Brasil, porém, enfrentavam jornadas de até 12 horas, sem folgas, descontos por alimentação e hospedagem, além de cobranças pelo transporte até as lavouras, realizado na caçamba de caminhões. Os alojamentos não ofereciam condições adequadas de higiene e acomodação, e os trabalhadores relataram dificuldades para manter contato com familiares e retornar aos países de origem.

Com o avanço das investigações, novas fiscalizações foram realizadas nos dias 20, 21 e 23 de outubro, resultando na identificação de outras vítimas. Somente na última ação, mais 25 trabalhadores estrangeiros foram encontrados em condições degradantes. Conforme a Polícia Civil e o MPT, os elementos reunidos indicam a atuação de uma organização voltada ao tráfico de pessoas para exploração do trabalho. Os responsáveis pelo recrutamento, transporte e contratação dos trabalhadores foram identificados, mas não localizados até o momento.

As vítimas estão recebendo acolhimento e assistência, com apoio das equipes de assistência social de Erechim, Aratiba, Três Arroios, Severiano de Almeida e Getúlio Vargas. A Brigada Militar também participou das ações em Getúlio Vargas. O Ministério do Trabalho dará continuidade às fiscalizações nos próximos dias para identificar possíveis novas vítimas. As investigações policiais e as medidas dos órgãos envolvidos prosseguem para responsabilizar os envolvidos e interromper a exploração dos trabalhadores na região.

Fotos: Divulgação