Olivicultura avança e projeta safra histórica no RS
O Rio Grande do Sul lidera a produção de azeite de oliva no Brasil, concentrando cerca de 75% do total nacional. O Estado possui mais de 6 mil hectares cultivados em mais de 110 municípios, com destaque para a região da Metade Sul.
A safra de olivas 2025/26 no Rio Grande do Sul deve garantir a recuperação da produção de azeite de oliva no rio Grande do Sul, com possibilidade de ser uma safra recorde, tanto na região Central do Estado, quanto nas demais regiões produtoras. A avaliação é do extensionista e engenheiro florestal da Emater/RS-Ascar, Antônio Borba, que ressalta, no entanto, que os números finais só poderão ser confirmados após a colheita. “Espera-se uma excelente safra, mas somente depois de colhida poderemos afirmar a magnitude da produção e da produtividade, e o quanto isso vai resultar em litros de azeite de oliva produzido no RS”, avalia.

Segundo dados da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), o Rio Grande do Sul é o maior produtor de azeite de oliva do Brasil, responsável por cerca de 75% da produção nacional. O Estado conta com mais de 6 mil hectares plantados, espalhados por mais de 110 municípios, com destaque para municípios da Metade Sul.
A expectativa positiva está diretamente relacionada às condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo produtivo. Segundo Borba, o inverno de 2025 apresentou número adequado de horas de frio, fundamental para o desenvolvimento das oliveiras. Já a primavera teve volumes de chuva dentro da normalidade, o que favoreceu a polinização. “Uma primavera sem grandes volumes de chuva permitiu uma boa polinização dos olivais. Como a polinização das oliveiras se dá pelo vento, essas condições possibilitaram que o pólen circulasse pelos pomares, resultando em excelente polinização”, explica.
O comportamento climático ao longo do verão também foi determinante para o bom desempenho da safra, especialmente pela distribuição regular das chuvas, que favoreceu o desenvolvimento adequado dos frutos e contribuiu para o potencial produtivo dos olivais. Esse cenário garantiu condições equilibradas durante grande parte do ciclo, permitindo que as oliveiras mantivessem um desenvolvimento satisfatório.
A combinação entre clima favorável e o avanço na idade dos pomares, com mais áreas entrando em produção, reforça a possibilidade de uma safra histórica. Nos últimos anos, a olivicultura gaúcha enfrentou oscilações significativas. A safra de 2022/2023 foi a maior já registrada até então, com produção superior a 580 mil litros de azeite. Já em 2023/2024, houve uma quebra de 73% na produção, causada principalmente pelo excesso de chuvas durante a floração, entre setembro e novembro.
Na safra seguinte, de 2024/2025, a produção gaúcha permaneceu em patamares reduzidos, passando de 580.228 litros, em 2023, para 193.150 litros, em 2024. Em 2025, o volume produzido foi de apenas 190,3 mil litros de azeite no Estado.
A produtividade, conforme o extensionista, está diretamente relacionada à quantidade e à qualidade dos frutos, além da idade dos pomares e das condições climáticas. “Quanto maior a quantidade de frutos e melhor sua qualidade, maiores serão o volume e a qualidade do azeite produzido”, ressalta Borba.
Em média, são necessários de cinco a dez quilos de azeitonas para produzir um litro de azeite extravirgem. A partir do quarto ou quinto ano, os pomares podem atingir produtividade de cerca de cinco toneladas por hectare, gerando entre mil e 1.600 litros de azeite por hectare. Outro fator determinante para a qualidade do produto é o ponto de colheita. As azeitonas são colhidas ainda verdes, antes da maturação completa, o que resulta em um azeite com notas herbáceas, maior teor de polifenóis e sabor mais intenso.
Cidades do Estado que, segundo a Seapi, se destacam na produção de oliveiras são Cachoeira do Sul, Encruzilhada do Sul, Canguçu, Pinheiro Machado, Bagé, Caçapava do Sul, Santana do Livramento, São Sepé e São Gabriel. Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, destaca-se no olivoturismo e projeta produção recorde para o município em 2026. Já Cruz Alta, no Noroeste do Estado, prevê expansão de projetos de olivicultura com milhares de mudas em iniciais 14 hectares.
“Assim, para a safra 2025/26, é possível antecipar fortes indicativos de retomada e fortalecimento da cadeia produtiva da olivicultura no Rio Grande do Sul”, finaliza Borba.