Novo manual muda regras do exame prático de direção no Brasil

Documento da Senatran padroniza avaliação no país e retira a baliza como etapa eliminatória isolada, priorizando direção em situação real de trânsito.

Por Redação/Gov BR Publicado em 01/02/2026 21:19 - Atualizado em 01/02/2026 22:39

A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) publicou neste domingo (1º) o novo Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, que define critérios mais objetivos sobre trajeto, percurso e forma de avaliação do exame prático. A proposta é tornar a prova mais próxima da realidade do dia a dia dos motoristas, reduzindo diferenças regionais nos processos de aprovação e tornando a avaliação mais alinhada ao trânsito real.

O documento terá aplicação padronizada em todos os Detrans do país e estabelece os procedimentos para adoção das novas regras, com foco na segurança viária. Entre as mudanças, está a retirada da baliza como etapa isolada, principal e eliminatória, como já vinha sendo anunciado por diversos estados.

Segundo o secretário Nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, a alteração não torna o exame mais fácil, mas mais realista. Ele explica que a baliza passou a ser vista como um exercício artificial e que agora será tratada como ocorre no cotidiano: como estacionamento ao final do percurso, sem regras mecânicas que pouco medem a condução segura.

Crédito: Divulgação DetranRS

Com isso, o exame passa a priorizar a direção em vias públicas, a leitura do trânsito, a tomada de decisões e a convivência com outros veículos e pedestres. A ideia, segundo o secretário, é focar na direção responsável em situações reais, deixando de lado práticas que pouco refletem a segurança no trânsit

Confira as principais mudanças para a prova prática da CNH

Baliza: é obrigatória ou não?
A manobra de baliza deixou de ser uma etapa obrigatória da prova prática, pois não está prevista na regulamentação vigente que disciplina o exame prático de direção veicular.
A avaliação deixa de ser sobre uma manobra específica, feita em um espaço à parte e pouco representativa do dia a dia, e passa a observar o condutor em situação real de tráfego. O que permanece é a finalização do percurso, momento em que o candidato deverá estacionar o veículo.
Um trajeto em via pública permite avaliar atenção, leitura do ambiente, respeito às regras, interação com outros veículos, pedestres e ciclistas, além do controle emocional. O foco deixa de ser a memorização de movimentos e passa a ser o comportamento ao volante, que é o que efetivamente impacta a segurança no trânsito.

É possível utilizar veículos automáticos nas provas?
Sim, é possível realizar a prova prática com veículo automático. Assim como qualquer outro veículo utilizado no exame, ele deve estar em conformidade com as regras de circulação e equipado com todos os itens obrigatórios exigidos pela legislação de trânsito.

O estacionamento permanece na prova prática?
O estacionamento permanece como parte da prova prática. Ao final do trajeto, o candidato deve parar o veículo e realizar o desembarque de forma segura, em conformidade com a legislação de trânsito.

Todos os Detrans devem seguir as diretrizes da resolução?
Os Detrans devem, obrigatoriamente, seguir as diretrizes nacionais estabelecidas pela legislação de trânsito. Essas regras são únicas para todo o país e não podem ser alteradas pelos estados. No entanto, a prova prática não acontece de forma idêntica em todos os lugares, porque cada cidade possui vias, sinalização e espaços urbanos diferentes.

Reprovação na prova prática: o que mudou?
Antes, a reprovação era baseada em condutas específicas definidas na resolução, muitas delas eliminatórias, independentemente de serem infrações de trânsito. Agora, a avaliação considera exclusivamente as infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Não existem mais faltas eliminatórias automáticas. O candidato é avaliado pela soma de pontos decorrentes das infrações cometidas durante o percurso, dentro de um limite máximo de dez pontos, com pesos diferentes conforme a gravidade da infração (leve, média, grave e gravíssima).
Condutas que não configuram infração de trânsito, como exemplo, “deixar o veículo morrer”, deixaram de gerar reprovação. Já comportamentos que são infrações continuam sendo avaliados conforme a lei.
Caso o examinador identifique que o candidato não apresenta condições mínimas de segurança, domínio do veículo ou equilíbrio emocional para conduzir, o exame pode ser interrompido sem atribuição de nota, conforme critérios objetivos previstos na regulamentação vigente e no manual.

Por que as alterações foram necessárias?
Para tornar o processo de habilitação mais justo, acessível e alinhado com a realidade do trânsito. O modelo anterior era burocrático, caro e punitivo, o que afastava milhões de pessoas do sistema formal e contribuía para um alto número de condutores sem habilitação. O objetivo é aumentar a segurança viária e formar condutores preparados para a realidade das ruas.

Há algum tipo de punição ou responsabilização para o Detran que não implementar ou descumprir as orientações?
Existem diferentes medidas previstas, que começam com apurações administrativas e podem evoluir para um processo de sindicância. Nos casos mais graves, o CTB prevê a possibilidade de intervenção direta no Detran, com a substituição da presidência, mediante processo administrativo aprovado pelo Contran.
Essa é a medida máxima de responsabilização prevista em lei para situações de descumprimento das normas nacionais de trânsito.

Confira aqui a íntegra do Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular:

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