Na prática: estudantes de Arquitetura da URI vivenciam desafios da acessibilidade
Acadêmicos experimentaram limitações de mobilidade e percepção para compreender como escolhas arquitetônicas podem facilitar — ou dificultar — a vida das pessoas
Como é atravessar uma escada usando muletas? Como uma pessoa em cadeira de rodas enfrenta uma rampa ou um desnível? E como alguém com deficiência visual percebe um espaço quando a sinalização e os obstáculos deixam de ser facilmente identificados?
Foi para responder, na prática, a essas perguntas que estudantes do Curso de Arquitetura e Urbanismo da URI Erechim participaram, na sexta-feira (7), de uma experiência diferente durante a disciplina de Projeto Integrador II.
Munidos de cadeiras de rodas, muletas e recursos que simulavam condições de deficiência visual, os acadêmicos percorreram diferentes áreas do câmpus e experimentaram, por alguns momentos, desafios que fazem parte da rotina de milhares de pessoas.
A proposta foi simples, mas provocadora: sentir na prática aquilo que muitas vezes é apenas estudado na teoria.
Durante a atividade, os estudantes analisaram rampas, escadas, desníveis, portas, pisos e sistemas de sinalização, observando como detalhes presentes nos espaços construídos podem representar obstáculos significativos para quem possui diferentes condições de mobilidade ou percepção.

Arquitetura que acolhe, inclui e transforma
Mais do que identificar barreiras, a experiência levou os futuros arquitetos a refletirem sobre uma questão essencial: para quem estamos projetando?
A atividade reforçou os sete princípios do Desenho Universal, conceito que busca criar ambientes que possam ser utilizados pelo maior número possível de pessoas, independentemente de idade, capacidade física ou condição de mobilidade.
Na prática, os acadêmicos perceberam que acessibilidade não deve ser tratada apenas como uma exigência técnica ou uma adaptação feita depois que o projeto está pronto.
A inclusão precisa nascer junto com o projeto.
Quando uma porta é estreita demais, uma rampa é inadequada, um piso dificulta a circulação ou uma sinalização não pode ser percebida por todos, uma escolha arquitetônica pode transformar um espaço aparentemente comum em uma barreira.
Por outro lado, quando a acessibilidade é pensada desde o início, o resultado é um ambiente mais seguro, funcional, confortável e democrático.
Para o professor Darllan Fabiani da Silva Santos, responsável pela atividade, essa vivência aproxima os estudantes da realidade e amplia a compreensão sobre o impacto de suas futuras decisões profissionais.
“Quando o acadêmico experimenta essas situações, compreende de forma muito mais concreta como as decisões de projeto podem facilitar ou dificultar a utilização dos espaços pelas pessoas”, explica.
Formar profissionais que projetem para todos
A experiência também reforçou uma dimensão fundamental da profissão: a arquitetura tem um papel social.
Cada escolha feita por um arquiteto pode aproximar ou afastar alguém de um espaço. Pode promover autonomia ou criar dependência. Pode facilitar a circulação ou transformar uma simples tarefa cotidiana em um grande desafio. Por isso, a formação dos futuros profissionais precisa ir além de plantas, cálculos e normas.

É preciso desenvolver a capacidade de olhar, sentir e projetar considerando a diversidade humana.Ao vivenciarem essas situações, os estudantes da URI Erechim tiveram a oportunidade de compreender que acessibilidade não é apenas construir espaços dentro das normas.
É construir espaços onde todas as pessoas possam entrar, circular, utilizar, participar e viver com autonomia e dignidade. E essa é uma das grandes responsabilidades da arquitetura: não apenas transformar espaços, mas transformar a maneira como as pessoas se relacionam com eles.