EDUCAÇÃO E SAÚDE

Mudanças climáticas e seus impactos na saúde são destaque na Semana Acadêmica de Enfermagem da URI Erechim

Evento reuniu estudantes, professores e especialistas para discutir os desafios da crise climática, a sustentabilidade da vida e o papel dos profissionais de saúde na construção de um futuro mais seguro.

Por Redação Publicado em 20/10/2026 22:07 - Atualizado em 20/10/2026 22:52

As mudanças climáticas já não representam apenas uma preocupação ambiental. Seus efeitos estão cada vez mais presentes na saúde da população, na rotina dos hospitais e nos desafios enfrentados pelos profissionais que atuam na linha de frente do atendimento. Foi com esse olhar que a URI Erechim abriu, na noite de segunda-feira (19), a XXVI Semana Acadêmica do Curso de Enfermagem e o XII Encontro de Acadêmicos.

Realizada no Auditório da Universidade, a abertura trouxe para o centro do debate uma questão que ganha importância diante dos eventos climáticos extremos: como preparar os profissionais de saúde para enfrentar os impactos de um planeta em transformação?

A programação começou com uma apresentação cultural da Orquestra RAPS, Oficina de Tambores e Coral, marcando o início de uma jornada de reflexão sobre saúde, sustentabilidade e responsabilidade social.

Durante a solenidade, o diretor acadêmico, Adilson Luís Stankiewicz, resgatou a trajetória da Enfermagem na URI, lembrando que foi o primeiro curso da área da saúde implantado pela instituição. Ele também destacou a importância da integração com hospitais e serviços públicos para a formação dos futuros profissionais.

Representando a coordenação do curso, Cibele Sandri Manfredini ressaltou que a atuação da Enfermagem vai muito além do atendimento direto aos pacientes. A profissão também desempenha papel fundamental na prevenção de doenças, na promoção da saúde, na gestão dos serviços e na construção de políticas públicas capazes de melhorar a qualidade de vida da população.

Crise climática também é crise de saúde pública

Um dos momentos centrais da noite foi a palestra “Sustentabilidade da Vida – Saúde, Agenda 2030 e os Desafios de um Mundo em Transformação”, ministrada de forma online por Paulo Ernani Gadelha Vieira, vinculado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A atividade foi mediada pela professora Sônia Beatriz Balvedi Zakrzevski, que apresentou os fundamentos da Agenda 2030, compromisso internacional aprovado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015, composto por 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas.

Em sua exposição, Gadelha chamou a atenção para uma realidade que o Rio Grande do Sul conhece de perto. As enchentes e outros desastres ambientais não provocam apenas prejuízos materiais: também aumentam os riscos de doenças, comprometem as condições sanitárias e ampliam a pressão sobre os serviços de saúde.

Ao citar os casos de leptospirose associados às enchentes no Estado, o pesquisador reforçou a relação direta entre desequilíbrio ambiental e adoecimento da população.

“A crise climática é uma crise sanitária”, afirmou.

A declaração sintetizou uma das principais mensagens do encontro: os efeitos das mudanças climáticas exigem respostas que envolvam não apenas a preservação ambiental, mas também a prevenção de doenças, o planejamento dos serviços e a proteção das comunidades mais vulneráveis.

Enfermagem tem papel decisivo na construção de respostas

Outro tema abordado foi o conceito de Saúde Única, que reconhece a conexão entre a saúde humana, a saúde animal e o equilíbrio dos ecossistemas.

Na prática, essa abordagem reforça que proteger a saúde das pessoas também significa cuidar das condições ambientais e compreender os fatores que favorecem o surgimento e a disseminação de doenças.

Gadelha destacou ainda a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) e das políticas de proteção social na resposta aos desafios impostos pelas transformações climáticas.

Nesse cenário, a Enfermagem ocupa uma posição estratégica. Seja na orientação das famílias, na prevenção de doenças, no atendimento aos pacientes ou na organização dos serviços, os profissionais da área têm participação direta na preparação das comunidades para situações de emergência.

Mais do que formar profissionais para tratar doenças, o desafio é preparar enfermeiros capazes de reconhecer riscos, antecipar problemas e contribuir para a proteção da vida.

Ao colocar sustentabilidade e saúde no centro da programação, a Semana Acadêmica da URI Erechim amplia uma discussão que ultrapassa os limites da universidade e interessa a toda a sociedade.

Afinal, diante de eventos climáticos cada vez mais preocupantes, compreender a relação entre meio ambiente e saúde deixou de ser apenas um tema acadêmico. Tornou-se uma necessidade para o presente e para o futuro das comunidades.