EDUCAÇÃO E REPRESENTATIVIDADE

Mais que tranças: encontro em escola de Erechim fala de identidade, respeito e autoestima

Trancista Franciele dos Santos Silva compartilhou sua história com crianças da EMEI Dom João Aloísio Hoffmann e falou sobre diversidade, ancestralidade e a importância de crescer tendo referências.

Por Redação/Comunicação PME Publicado em há 5 horas

Para algumas crianças, foi uma pequena trança feita no cabelo. Para outras, a oportunidade de conhecer uma história diferente. Mas o encontro realizado nesta segunda-feira (21), na EMEI Dom João Aloísio Hoffmann, em Erechim, buscou deixar um aprendizado que vai além da sala de aula: cada criança precisa aprender a reconhecer seu valor e, ao mesmo tempo, respeitar aquilo que torna o outro diferente.

A convidada foi a trancista Franciele dos Santos Silva, que conversou com estudantes da pré-escola e do maternal sobre a história e o significado das tranças, além de contar um pouco da própria trajetória.

Franciele começou a trabalhar com tranças aos 12 anos. Hoje, além de exercer a profissão, percebe que ocupa um lugar que fez falta quando ela própria era criança: o de referência para outras meninas e meninos.

Durante o encontro, ela falou sobre a história de resistência presente nas tranças e, de maneira próxima das crianças, transformou parte da conversa em experiência. Quem quis pôde fazer pequenas trancinhas no cabelo.

“Hoje eu sou a referência delas”

Foi ao falar sobre a própria infância que Franciele resumiu a dimensão que atribui a encontros como esse.

“A gente tem que se unir e fazer com que isso transborde para nossas crianças, porque eu cresci com poucas referências, e hoje em dia eu sou a referência delas, eu sou a visão que elas vão ter no futuro, eu sou o que elas olham e querem ser. A representatividade que eu carrego e trago para elas, por ser uma mulher preta, é mais importante do que qualquer coisa”, contou.

A fala ajuda a explicar por que uma atividade aparentemente simples pode ter outro significado para quem ainda está formando sua percepção sobre si mesmo e sobre as pessoas ao redor.

Ver alguém com quem se identifica, conhecer sua história e perceber que diferentes cabelos, traços e características fazem parte da sociedade também contribui para a construção da autoestima na infância.

Respeito começa cedo

Para a coordenadora pedagógica da escola, Daliane Canova, trabalhar essas questões desde os primeiros anos permite abordar diversidade e aceitação de maneira natural.

“Queremos que as crianças cresçam entendendo que cada cabelo, cada característica e cada jeito de ser têm a sua beleza”, afirmou.

A secretária municipal de Educação, Verenice Lipsch, também destacou que a escola tem papel importante na construção desse olhar.

“Cada criança tem suas características, isso que queremos fortalecer no ambiente escolar! Todas devem respeitar as diferenças, por isso trabalhar a diversidade é criar um ambiente de respeito ao outro”, ressaltou.

Ao final, ficaram as pequenas tranças, as conversas e uma mensagem compreensível mesmo para quem ainda está nos primeiros anos da vida escolar.

Diversidade não precisa ser apenas explicada às crianças. Ela pode ser vivida, conhecida e respeitada. E, quando uma criança encontra alguém em quem consegue se enxergar, também começa a perceber que o seu próprio jeito de ser tem espaço, história e valor.