MAUS-TRATOS

Mais de 8 mil castrações, mas desafio continua: Erechim reforça mobilização contra o abandono de animais

Município amplia ações de proteção animal e alerta que a castração segue sendo a principal ferramenta para combater a superpopulação de cães e gatos. Autoridades defendem o engajamento da comunidade para reduzir o abandono e garantir mais bem-estar aos animais.

Por Redação/Comunicação PME Publicado em há 4 horas

A realidade dos animais abandonados nas ruas vai muito além do sofrimento que vemos. A superpopulação de cães e gatos é um desafio que afeta diretamente o bem-estar animal, a saúde pública e os recursos do município. E enfrentar esse problema exige mais do que ações governamentais: requer o comprometimento de toda a sociedade.

Em Erechim, a Prefeitura tem ampliado investimentos e fortalecido políticas públicas voltadas à causa animal. No entanto, especialistas alertam que nenhuma estrutura será suficiente sem a participação ativa da população. A principal ferramenta para mudar essa realidade continua sendo a castração.

De acordo com o diretor de Bem-Estar Animal (DBEA), Ricati Majewski, a castração é a forma mais eficaz de prevenir o abandono e impedir o crescimento descontrolado da população de cães e gatos.

“Quando um animal não é castrado, o ciclo se repete continuamente. Muitos tutores acabam sem condições de cuidar das crias e, infelizmente, o abandono se torna uma consequência frequente. A castração evita o nascimento de ninhadas que muitas vezes acabam expostas à fome, doenças, maus-tratos e ao abandono”, explica.

A dimensão do problema é alarmante. Uma única fêmea, juntamente com suas crias e descendentes, pode gerar centenas de animais ao longo dos anos. Em uma das ocorrências atendidas pela fiscalização da Diretoria de Bem-Estar Animal, uma única cadela foi encontrada com nove filhotes. Situações como essa se repetem constantemente e demonstram como a falta de controle populacional contribui para o aumento do número de animais em situação de vulnerabilidade.

Apesar dos desafios, Erechim é referência no Rio Grande do Sul quando o assunto é proteção animal. O município conta com uma estrutura especializada formada pela Diretoria de Bem-Estar Animal (DBEA), pelo Centro de Acolhimento e Proteção para Pets (CAPPET) e, mais recentemente, pelo Fundo Municipal de Proteção e Bem-Estar Animal (FUMBEA), criado para ampliar a captação de recursos destinados à causa.

O secretário de Meio Ambiente, Cristiano Moreira, destaca que a cidade possui profissionais qualificados e serviços permanentes de acolhimento, atendimento veterinário, resgate e adoção. Ainda assim, a demanda segue elevada.

“Temos uma das estruturas mais organizadas do Estado, mas os desafios são enormes. Muitos animais ainda vivem nas ruas e precisam de atendimento, alimentação, abrigo e, principalmente, de uma nova oportunidade. O trabalho realizado pela Prefeitura só é possível graças ao apoio de ONGs, protetores independentes e entidades parceiras que atuam diariamente nessa causa”, ressalta.

Desde 2022, milhares de vidas foram impactadas pelas ações desenvolvidas no município. Somente nos últimos anos, mais de 8 mil castrações gratuitas foram realizadas, além de inúmeros atendimentos veterinários, resgates e encaminhamentos para adoção responsável.

Para o prefeito em exercício, Flávio Tirello, os avanços conquistados demonstram o compromisso do município com a proteção animal, mas a solução definitiva passa pela conscientização coletiva.

“Cuidar de um animal é um compromisso para toda a vida. O abandono e o acúmulo irresponsável geram sofrimento, aumentam os custos públicos e comprometem o trabalho realizado pelas equipes de proteção animal. Quando cada cidadão faz sua parte, seja por meio da castração, dos cuidados adequados ou da adoção responsável, ajudamos a construir uma cidade mais humana, saudável e acolhedora para todos”, afirma.

A causa animal é uma responsabilidade compartilhada. Castrar, cuidar e não abandonar são atitudes que salvam vidas e transformam realidades. Afinal, cada animal protegido representa menos sofrimento nas ruas e mais dignidade para quem não tem voz para pedir ajuda.

Fotos: SMMA PME