DIPLOMACIA E COMÉRCIO

Lula e Trump buscam acordo para encerrar disputa comercial entre Brasil e EUA

Após reunião na Casa Branca, presidentes anunciaram que proposta para resolver impasse sobre tarifas e investigação comercial deve ser apresentada em até 30 dias.

Por Redação/Agência Brasil Publicado em há 9 horas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, após reunião com Donald Trump na Casa Branca, que Brasil e Estados Unidos devem apresentar em até 30 dias uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e a investigação comercial aberta pelos norte-americanos contra o Brasil.

Os EUA acusam o país de concorrência desleal com base na Seção 301 da Lei de Comércio, citando temas como Pix, etanol, desmatamento e propriedade intelectual. O governo brasileiro contesta a medida, alegando que ela fere regras da Organização Mundial do Comércio. Segundo Lula, o Pix não foi tratado na conversa entre os presidentes.

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se reuniram por mais de três horas na Casa Branca, em Washington, para discutir temas como comércio, tarifas, combate ao crime organizado e questões geopolíticas.

Após o encontro, Trump classificou Lula como “um presidente muito dinâmico” e afirmou que a reunião foi produtiva, com novos encontros entre representantes dos dois países já agendados. Lula disse ter saído otimista da conversa e afirmou que o Brasil está disposto a discutir qualquer tema, sem abrir mão da democracia e da soberania nacional.

Crime organizado

Durante coletiva em Washington, Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o governo lançará na próxima semana um novo plano de combate ao crime organizado. Segundo ele, Brasil e Estados Unidos vão ampliar a cooperação para enfraquecer financeiramente facções criminosas transnacionais.

O ministro Dario Durigan afirmou que Receita Federal e autoridades norte-americanas devem realizar operações conjuntas contra contrabando de armas e tráfico de drogas sintéticas. Lula disse ainda que não tratou especificamente de facções como Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital, enquanto os EUA avaliam classificar grupos brasileiros como organizações terroristas

Terras raras

A exploração de minerais críticos e terras raras também esteve na pauta da reunião entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Lula destacou a aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que cria mecanismos para definir os minerais considerados estratégicos para o país.

O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China. O governo avalia que o potencial pode ser ainda maior, já que apenas 25% do território nacional foi mapeado.

Vistos revogados

Lula disse ter entregue a Trump uma lista de autoridades e seus familiares brasileiros que ainda estão sofrendo com restrição de vistos norte-americanos como retaliação por conta do julgamento da tentativa de golpe de Estado no Brasil.

Parte da suspensão de vistos teria sido interrompida, mas algumas pessoas seguem sancionadas, incluindo, segundo Lula, a filha de 10 anos de idade do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Fazem parte da comitiva presidencial os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César; da Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Histórico

A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos vive um período de tensão desde 2025, após o presidente Donald Trump impor tarifas de 25% sobre aço e alumínio brasileiros. Os EUA também aplicaram novas taxas a produtos nacionais, alegando falta de reciprocidade comercial.

O governo brasileiro reagiu com negociações diplomáticas, ações na Organização Mundial do Comércio e medidas de reciprocidade para evitar uma escalada comercial. Apesar de um recuo parcial dos EUA, setores como aço e alumínio seguem enfrentando tarifas elevadas.