JUSTIÇA

Júri de acusado por feminicídio em Erechim é interrompido após defesa abandonar plenário

Sessão foi suspensa depois de impasse sobre imparcialidade dos jurados; nova data para julgamento ainda será definida.

Por Redação Publicado em 29/04/2026 22:13 - Atualizado em 29/04/2026 22:23

O julgamento do homem acusado pelo feminicídio de Chaiane Proença foi interrompido na manhã desta quarta-feira (29), no Fórum de Erechim, após a defesa abandonar o plenário. A decisão ocorreu em meio a um impasse envolvendo a condução do júri e a alegação de comprometimento da imparcialidade do Conselho de Sentença.

Durante o depoimento da mãe da vítima, algumas juradas se emocionaram, o que motivou a reação da defesa. As advogadas solicitaram a dissolução do júri, argumentando que o choro de integrantes do conselho poderia influenciar a neutralidade necessária para o julgamento, especialmente diante da grande repercussão do caso. O pedido, no entanto, foi contestado pelo Ministério Público.

Questionados pelo juiz Marcos Agostini, os jurados afirmaram que estavam aptos a manter a imparcialidade. Diante disso, o magistrado indeferiu o pedido da defesa e determinou o registro do ocorrido em ata, mantendo a continuidade da sessão.

Ainda assim, as defensoras Priscila Rosa, Maíra Cazzuni e Katia Balsanello reforçaram que a solicitação também se baseava na suposta quebra da incomunicabilidade entre jurados.

Com a negativa judicial, a bancada de defesa optou por deixar o plenário, o que levou à interrupção imediata do julgamento. Diante da situação, o juiz decidiu encerrar a sessão, que deverá ser remarcada em nova data a ser definida pelo Judiciário.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Chaiane Proença foi morta por estrangulamento na noite de 20 de outubro de 2023, em sua residência, no bairro Atlântico. A acusação sustenta que o réu, inconformado com o fim do relacionamento, teria invadido o local e surpreendido a vítima, dificultando qualquer possibilidade de defesa.

O caso é tratado como feminicídio com agravantes, incluindo motivo torpe, uso de asfixia, recurso que impossibilitou a reação da vítima e descumprimento de medidas protetivas. A interrupção do julgamento prolonga a expectativa por justiça e mantém a atenção da comunidade sobre um crime que gerou forte comoção na região.