OPERAÇÃO DOSE OCULTA

Investigação iniciada em Erechim chega a laboratório clandestino de emagrecedores em SC

Operação conjunta das Polícias Civis do RS e de Santa Catarina cumpriu 15 mandados em quatro municípios. Três pessoas foram presas e centenas de ampolas e canetas foram apreendidas; polícia investiga rede de contrabando, adulteração e venda ilegal de medicamentos

Por Redação AU/Assessoria Publicado em 27/08/2026 19:41 - Atualizado em 27/08/2026 20:42

Uma investigação iniciada pela Polícia Civil em Erechim chegou, nesta quinta-feira (27), a um laboratório clandestino que, segundo a polícia, era utilizado para manipular e adulterar medicamentos emagrecedores em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina. A descoberta ocorreu durante a Operação Dose Oculta, deflagrada simultaneamente no Rio Grande do Sul e em território catarinense.

Até o momento, três pessoas foram presas. Somente em Erechim foram apreendidas quase cem ampolas e canetas de medicamentos emagrecedores cuja comercialização é proibida no Brasil. Em Santa Catarina, a quantidade é ainda maior: são centenas de unidades, além de materiais que seriam utilizados para reembalar e rotular os produtos.

A operação é resultado de uma investigação conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) de Erechim. Ao todo, foram expedidos 15 mandados de busca e apreensão: 12 cumpridos em Erechim, Aratiba e Viadutos e outros três em Navegantes, estes executados pela Polícia Civil catarinense.

Investigação começou com prisão em Erechim

O trabalho que levou à operação desta quinta começou meses atrás. Em 28 de maio, a DRACO prendeu em flagrante uma mulher de 30 anos, investigada por crime contra a saúde pública.

Naquela ocasião, os policiais cumpriram mandado de busca e apreensão autorizado pela 2ª Vara Criminal de Erechim. A investigação apontava para a existência de comércio clandestino de ampolas emagrecedoras na cidade.

Foi a partir do material recolhido naquela ação que os investigadores avançaram sobre outros suspeitos e passaram a apurar a possível existência de uma estrutura mais ampla envolvendo contrabando, distribuição, venda e até aplicação clandestina de medicamentos emagrecedores proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo a Polícia Civil, depois de receber liberdade condicional, a mulher presa em maio teria retomado as atividades investigadas. Diante disso, o delegado responsável pela DRACO solicitou sua prisão preventiva, além das buscas nos 15 endereços relacionados aos investigados. As medidas foram autorizadas pela Justiça.

Quase cem ampolas e canetas apreendidas em Erechim

A mulher de 30 anos foi localizada e presa novamente nesta quinta-feira em sua residência, em Erechim. No imóvel, conforme a polícia, havia diversos insumos relacionados ao comércio das substâncias.

Em outro endereço ligado à investigada, os agentes encontraram uma ampola de medicamento emagrecedor estrangeiro. Outra unidade foi localizada na casa de uma mulher investigada por supostamente participar da logística do grupo.

Uma quantidade maior apareceu em um quarto endereço de Erechim. Na residência de uma mulher de 51 anos, os policiais encontraram dezenas de ampolas de medicamentos de origem estrangeira.

Segundo a investigação, essa mulher possuía autorização judicial para importar substâncias estrangeiras destinadas ao consumo próprio. A suspeita, porém, é de que ela tenha passado a exercer um papel importante na logística utilizada pelos demais investigados.

Ao final das buscas realizadas em Erechim, a Polícia Civil contabilizou quase uma centena de ampolas e canetas de medicamentos emagrecedores. Telefones celulares de vários suspeitos também foram recolhidos e serão analisados no prosseguimento da investigação.

Laboratório clandestino é descoberto em Navegantes

Foi em Navegantes, entretanto, que a operação encontrou uma estrutura que chamou a atenção dos investigadores.

Divulgação/PCSC

Em um dos imóveis, policiais civis catarinenses localizaram o que classificaram como um laboratório clandestino para manipulação de medicamentos emagrecedores e outras substâncias.

As informações preliminares apontam que o espaço seria utilizado para adulterar, manipular e rotular medicamentos destinados posteriormente ao mercado ilegal.

No local, foram presos em flagrante um homem de 45 anos e uma mulher de 34 anos, apontados pela Polícia Civil como responsáveis pelo laboratório. Os dois foram autuados por falsificação e adulteração de produtos destinados a fins medicinais, crime previsto no artigo 273, §1º, do Código Penal.

O trabalho no imóvel exigiu também a atuação da perícia devido à quantidade e às características dos produtos encontrados.

Dinheiro, veículo, anabolizantes e material para falsificação

Nas buscas realizadas em Santa Catarina, a polícia apreendeu mais de R$ 27 mil em dinheiro, uma caminhonete Rampage, centenas de ampolas e canetas contendo substâncias emagrecedoras, além de diversos frascos de anabolizantes.

Também foram recolhidos materiais que, conforme a investigação, poderiam ser utilizados na falsificação e apresentação comercial dos medicamentos. Entre eles estão blisters para ampolas, refis de canetas, lacres e rótulos.

A suspeita da Polícia Civil catarinense é de que compostos medicinais emagrecedores ilícitos fossem diluídos em solventes químicos e posteriormente reembalados, já adulterados, para venda no mercado paralelo.

Os investigadores também encontraram indícios de que parte da comercialização ocorria por meio de plataformas online.

Investigação continua

A Operação Dose Oculta não encerra o caso. A análise dos celulares, documentos e demais materiais apreendidos deverá ajudar a polícia a identificar fornecedores, intermediários, compradores e outros possíveis integrantes da estrutura investigada.

As Polícias Civis do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina informaram que continuarão trabalhando conjuntamente para identificar toda a cadeia envolvida.

Os órgãos de segurança também reforçaram o alerta aos consumidores sobre medicamentos de procedência desconhecida, especialmente substâncias emagrecedoras comercializadas sem controle sanitário e utilizadas sem acompanhamento médico.

A investigação permanece sob responsabilidade da DRACO de Erechim, com apoio da Polícia Civil de Santa Catarina nas apurações relacionadas aos fatos identificados naquele Estado.

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