ELEIÇÕES 2026 | DISPUTA PRESIDENCIAL

Flávio Bolsonaro aceita desafio de Lula sobre quebra de sigilos, mas apresenta novas exigências ao TSE

Candidato do PL pede divulgação de informações bancárias, registros de visitas a prédios oficiais e gastos com cartões corporativos. Solicitações envolvem familiares do presidente, integrantes do governo e o empresário Daniel Vorcaro.

Por Redação Publicado em há 3 horas

A troca de acusações entre os candidatos à Presidência da República ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (21). O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou aceitar o desafio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tornar públicos seus sigilos bancário e telefônico, mas condicionou a iniciativa à divulgação de uma série de informações envolvendo pessoas próximas ao atual governo.

Foto: Reprodução Insstagram

As exigências foram apresentadas em uma petição encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre os pedidos estão dados bancários e telemáticos do filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, informações sobre o Instituto Lula, registros da agenda da primeira-dama Janja e detalhes de encontros envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

O candidato do PL também cobra a divulgação de despesas realizadas com cartões corporativos da Presidência da República e o acesso a registros de entrada de visitantes nos palácios do Planalto e da Alvorada.

A manifestação ocorre na reta final da campanha para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).

Pedidos envolvem familiares e pessoas próximas ao governo

Na documentação apresentada ao TSE, Flávio Bolsonaro solicita a abertura dos sigilos bancário e telemático de Fábio Luís Lula da Silva e do Instituto Lula.

Outro nome citado é Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. O senador também pede acesso às informações bancárias e telemáticas dele.

Em relação à primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, a solicitação envolve a divulgação de sua agenda de compromissos.

A campanha de Flávio pretende ainda obter informações sobre os gastos realizados por meio dos cartões corporativos da Presidência, tema que passou a integrar o confronto político entre os dois candidatos.

Os pedidos, entretanto, não significam que os sigilos tenham sido efetivamente quebrados. O acesso a informações protegidas depende de fundamento legal e, conforme o caso, de autorização judicial.

Banco Master também entra na disputa

Outro ponto da petição envolve Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e suas relações com integrantes e pessoas próximas ao governo federal.

Flávio Bolsonaro solicita registros de encontros entre Vorcaro e Lula, além de informações sobre a entrada do empresário e de intermediários nos palácios do Planalto e da Alvorada. Entre os nomes mencionados está o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

A campanha também pede acesso à relação de pessoas que visitaram Vorcaro durante sua detenção na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e à lista de passageiros de uma aeronave ligada ao empresário entre 10 e 20 de novembro de 2025.

As solicitações incluem informações sobre a empresária Roberta Luchsinger, apontada como próxima de Lulinha. O senador quer conhecer os registros de entrada dela em prédios do governo, sua participação em reuniões com órgãos federais e eventuais viagens em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).

Lula também apresentou pedido de abertura de sigilos

A iniciativa de Flávio é uma resposta ao desafio feito por Lula durante o debate presidencial da Band, no domingo (18).

Na terça-feira (20), a campanha petista protocolou no TSE um documento autorizando a divulgação dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente relativos aos últimos oito anos, desde que o adversário também disponibilize informações equivalentes.

A proposta de Lula inclui familiares e empresas ligadas aos candidatos. Já Flávio afirma autorizar a abertura de seus próprios dados referentes aos últimos 20 anos, mas amplia a lista de pessoas e instituições cujas informações pretende ver divulgadas.

O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, no Tribunal Superior Eleitoral.

Divulgação dos dados ainda depende de análise jurídica

Apesar das manifestações dos dois candidatos, a apresentação das petições não resulta automaticamente na divulgação dos dados solicitados.

Especialistas em direito eleitoral observam que uma pessoa pode autorizar o compartilhamento de determinadas informações pessoais, mas não pode afastar, por conta própria, o sigilo de terceiros.

Além disso, a competência do TSE para examinar dados patrimoniais e financeiros particulares depende das circunstâncias jurídicas de cada pedido.

Com isso, a disputa sobre a abertura dos sigilos permanece sem uma definição judicial sobre quais informações poderão ser divulgadas.

O episódio acrescenta um novo tema à campanha presidencial, a poucos dias da votação de domingo (25), quando os eleitores escolherão o presidente da República para o próximo mandato.

Fontes: CNN Brasil, UOL e Agência Brasil — 20 e 21 de outubro de 2026.