EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e elevam tensão com o Brasil

Decisão anunciada pelo governo Donald Trump amplia pressão contra facções brasileiras, gera preocupação sobre soberania nacional e pode impactar cooperação entre os dois países.

Por Redação Publicado em 28/05/2026 22:39 - Atualizado em 28/05/2026 22:48

A decisão dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras elevou a tensão diplomática entre Brasília e Washington e acendeu um debate que vai muito além do combate ao crime organizado.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (28) pelo Departamento de Estado norte-americano e deve entrar em vigor a partir de 5 de junho. A medida, assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio e respaldada por uma ordem executiva do presidente Donald Trump, coloca as duas maiores facções criminosas do Brasil no mesmo patamar jurídico utilizado pelos EUA para grupos terroristas internacionais.

Em comunicado oficial, Rubio classificou PCC e CV como “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”, afirmando que os grupos possuem redes que ultrapassam as fronteiras brasileiras e alcançam outros países da América Latina e os próprios Estados Unidos.

Reprodução Agência Brasil

A medida abre caminho para sanções financeiras mais duras, congelamento de ativos, restrições internacionais e ampliação da atuação de agências americanas no combate às facções. Na prática, qualquer apoio financeiro, logístico ou operacional aos grupos pode passar a ser tratado como crime federal em território norte-americano.

Nos bastidores, porém, a decisão gerou forte preocupação dentro do governo brasileiro. Autoridades avaliam que a classificação pode criar precedentes delicados para a soberania nacional, além de ampliar a influência dos EUA em temas de segurança pública dentro do Brasil. Especialistas alertam que o novo enquadramento pode dificultar acordos de cooperação investigativa, alterar níveis de sigilo entre os países e até transferir informações estratégicas para órgãos de inteligência e estruturas militares norte-americanas.

O anúncio ocorre em meio à nova política externa adotada por Donald Trump para a América Latina, marcada pelo endurecimento contra organizações ligadas ao narcotráfico e pelo discurso de combate ao chamado “narcoterrorismo”. Nos últimos meses, os EUA intensificaram ações militares e operações internacionais sob essa justificativa, aumentando o receio de possíveis impactos diplomáticos e econômicos na região.

Outro fator que ampliou a repercussão política foi o timing do anúncio. A decisão veio logo após encontros do senador Flávio Bolsonaro com Marco Rubio e com o presidente Donald Trump, em Washington. Segundo veículos internacionais, aliados do parlamentar vinham defendendo publicamente a adoção da medida pelos EUA.

Enquanto isso, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta equilibrar o discurso entre cooperação internacional contra o crime organizado e defesa da autonomia brasileira. A preocupação é que o combate às facções ultrapasse os limites da segurança pública e avance para um terreno diplomático e geopolítico ainda mais sensível.

O episódio marca um novo capítulo na relação entre Brasil e Estados Unidos — e pode trazer consequências profundas não apenas para o enfrentamento ao crime organizado, mas também para a política, a economia e a soberania nacional.