Erechim ganha destaque no lançamento do Acolhe RS com protagonismo de duas alunas venezuelanas

Karla Alejandra Viamonte Lezana e Luisciana del Valle Maurera Ruiz, estudantes de escolas estaduais de Erechim, conduziram a cerimônia de lançamento do projeto que fortalece o acolhimento de migrantes e refugiados na Rede Estadual de Ensino.

Por Redação/Ascom SeducRS Publicado em 25/06/2026 21:19 - Atualizado em 25/06/2026 21:41

O Governo do Rio Grande do Sul lançou o projeto Acolhe RS, iniciativa da Secretaria da Educação voltada ao fortalecimento do acolhimento de estudantes migrantes e refugiados na Rede Estadual de Ensino.

A proposta, em formato piloto, busca reduzir barreiras de acesso e aprendizagem, além de promover a integração linguística e sociocultural, ampliando a inclusão nas escolas gaúchas.

O evento contou com a participação especial de duas alunas venezuelanas de Erechim, Karla Alejandra Viamonte Lezana e Luisciana del Valle Maurera Ruiz, que conduziram a cerimônia e reforçaram a importância do sentimento de pertencimento na escola, representando a realidade vivida por milhares de estudantes estrangeiros no Rio Grande do Sul.

Foto: Gustavo Perez | ASCOM Seduc

A região de Erechim também se destaca pelo crescimento expressivo no número de matrículas de alunos migrantes, refletindo a necessidade de políticas de inclusão e integração linguística e sociocultural no ambiente escolar.

O projeto Acolhe RS será implantado inicialmente em escolas-piloto de regiões com maior concentração de estudantes migrantes. A iniciativa da Seduc, em parceria com a Unesco e o ACNUR, prevê materiais de apoio pedagógico, guia de acolhimento, jogos educativos e formação online para professores e profissionais da educação.

O programa também inclui o curso de Português como Língua de Acolhimento (PLAc), com aulas presenciais divididas em níveis básico, intermediário e avançado, cada um com 60 horas ao longo do semestre, fortalecendo a integração e a aprendizagem dos estudantes estrangeiros.

Ao longo do evento, as autoridades e representantes de instituições parceiras destacaram a colaboração e o esforço coletivo que resultou no Acolhe RS. Em comum, os depoimentos ressaltaram a educação pública como ferramenta de inclusão e de garantia de direitos.

A coordenadora-geral de Promoção dos Direitos das Pessoas Migrantes, Refugiadas e Apátridas do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Fernanda Rosa Becker, mencionou a questão do reconhecimento da diversidade. "A sala de aula é um espaço de convivência e de valorização das diferenças. Em um país que recebe pessoas de diversas origens, é fundamental contar com profissionais preparados para acolher e promover a integração", destacou.

Representando o Conselho Estadual de Direitos Humanos, João Remédios ressaltou que o acolhimento depende de um esforço coordenado entre Estado e sociedade civil. "Precisamos construir políticas públicas com a participação de todos. A educação tem um papel decisivo na formação das novas gerações e na construção de uma sociedade mais acolhedora", afirmou.

O presidente do Comitê de Atenção a Migrantes, Refugiados, Apátridas e Vítimas de Tráfico de Pessoas do Rio Grande do Sul (Comirat-RS), Neir Alves, lembrou os avanços recentes alcançados no Estado. "Em junho, comemoramos a Semana Nacional do Migrante e do Refugiado e, no final de 2025, tivemos a aprovação do Plano Estadual para Migrantes. É um momento importante para fortalecer as políticas públicas voltadas a essa população", disse.

Por sua vez, a presidente do Conselho Estadual de Educação, Fátima Ehlert, mencionou que as fronteiras nacionais não podem delimitar a garantia ao ensino. "Nosso objetivo final é garantir que o direito pleno à educação aconteça em cada escola. Esse direito é universal e não escolhe nacionalidade ou idioma. O Acolhe RS reforça a necessidade de que as escolas promovam não apenas o acesso, mas também o pertencimento de estudantes migrantes e refugiados e de suas famílias", afirmou.

A promotora Cristiane Corrales, representando o MPRS, também ressaltou que as diferentes instituições devem agir de forma integrada. “Esse trabalho exige união de esforços. A escola é um espaço de aprendizagem, mas também de convivência, desenvolvimento e garantia de direitos. O Ministério Público está à disposição para contribuir com essa construção", declarou.

O secretário de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Fabrício Peruchin, relacionou o projeto à própria história de formação do Rio Grande do Sul. "O povo gaúcho também foi formado por diferentes correntes migratórias. Investir na educação é investir no futuro das pessoas e na construção de uma sociedade mais justa e integrada", afirmou.

Dando continuidade aos discursos, o representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli, destacou o papel da escola na proteção de crianças e adolescentes em situação de deslocamento. "A educação é uma das ferramentas mais poderosas de proteção que existem. Para muitas crianças refugiadas, a escola representa estabilidade, pertencimento e a oportunidade de reconstruir sonhos interrompidos", disse.

A oficial de Projetos da UNESCO no Brasil, Lorena Carvalho, acrescentou que a parceria da instituição com a Seduc representou uma cooperação bem sucedida."É motivo de orgulho participar de uma ação construída a partir de princípios como equidade, inclusão e políticas educacionais baseadas em evidências", afirmou.

Em mensagem gravada exibida durante o evento, a diretora e representante da UNESCO no Brasil, Marlova Noleto, comentou sobre o guia de orientações que faz parte do Acolher RS. "A educação é um direito humano fundamental que não pode ser perdido quando alguém cruza uma fronteira. Este guia foi desenvolvido para apoiar educadores na construção de ambientes escolares mais inclusivos, acolhedores e preparados para a diversidade", afirmou.

Programação de reflexões

Após a assinatura simbólica de uma carta de intenções entre a Seduc e o ACNUR, a programação do evento seguiu com a apresentação detalhada do Acolhe RS. O Subsecretário de Desenvolvimento da Educação Básica do Rio Grande do Sul, Marcelo Jerônimo, participou de uma mesa redonda, junto com a secretária Raquel Teixeira, abordando os aspectos do projeto.

Ao final do encontro, a secretária adjunta em exercício, Iracema Castelo Branco, coordenou um debate com as primeiras escolas da Rede Estadual que receberão o Acolhe RS.

O painel reuniu os diretores Cilon Everaldo da Costa Nunes, da Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Santa Rosa, de Porto Alegre; Maria Luisa de Sá, da Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) Décio Martins Costa, também da capital gaúcha; Marcos Antonio Azambuja da Silva, da EEEM Professora Ivonne Lucia Triches dos Reis, de Caxias do Sul; por fim, Cátia Márcia Glounski, da EEEM Irany Jaime Farina, de Erechim.

Eles compartilharam as experiências e reflexões que surgem no cotidiano do acolhimento aos estudantes migrantes. Além disso, também relataram as expectativas dos alunos e dos professores.

“A escola é, por excelência, um lugar de acolhimento e de construção conjunta.O Acolhe RS vem enriquecer esse papel ao oferecer mais ferramentas para que mais ferramentas para que educadores e escolas promovam a integração dos estudantes migrantes e refugiados. O lema da bandeira do Rio Grande do Sul fala sobre humanidade. Acolher é saber se colocar no lugar do outro e criar condições para que todos aprendam, participem e se sintam parte da comunidade escolar," concluiu Iracema, sintetizando o espírito do evento.