CLIMA E AGRONEGÓCIO

El Niño pode ser um dos mais fortes desde 1950 e acende alerta para produtores do Alto Uruguai

Fenômeno climático pode alterar o regime de chuvas, afetar soja, milho, café, pecuária e leite, com reflexos na produção e nos preços das commodities.

Por Redação AU Publicado em 12/07/2026 16:37 - Atualizado em 13/07/2026 11:14

A possibilidade de um dos episódios de El Niño mais intensos desde o início das medições, em 1950, coloca produtores rurais do Brasil e do mundo em estado de atenção. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o fenômeno poderá provocar mudanças significativas no clima, influenciando diretamente a safra 2026/27 e trazendo impactos para diversas cadeias do agronegócio.

No Rio Grande do Sul e, especialmente, na região do Alto Uruguai, o cenário também preocupa. Historicamente, o El Niño favorece o aumento das chuvas no Sul do Brasil, o que pode resultar em excesso de umidade durante períodos importantes do desenvolvimento das lavouras. Ao mesmo tempo, outras regiões do país tendem a enfrentar estiagem e temperaturas acima da média.

A soja aparece entre as culturas mais vulneráveis. O período entre julho e setembro é decisivo para o planejamento da próxima safra, e atrasos ou irregularidades nas chuvas podem comprometer o calendário de plantio, exigindo até mesmo o replantio de áreas. Em 2024, durante o último evento de El Niño, cerca de 2,9 milhões de hectares de soja precisaram ser replantados em razão das condições climáticas.

Os reflexos se estendem ao milho de segunda safra. Um plantio tardio da soja reduz a janela ideal para o cultivo dessas culturas, aumentando a exposição das lavouras à falta de chuva nas fases finais do ciclo. Apesar dos riscos, especialistas destacam que um evento intenso não significa, necessariamente, quebra generalizada da produção nacional, já que os impactos variam conforme a região.

Foto: Emater/RS

Além das lavouras, a pecuária também pode sentir os efeitos do fenômeno. Ondas de calor previstas para estados como Mato Grosso tendem a reduzir o desempenho dos animais, enquanto uma eventual alta nos preços da soja e do milho elevaria o custo da alimentação de aves, suínos e bovinos, pressionando toda a cadeia de proteínas animais.

O setor leiteiro também poderá enfrentar dificuldades. Conforme avaliação do Rabobank, o excesso de chuva no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina pode reduzir a produção de leite, enquanto a falta de precipitação no Sudeste e no Nordeste também limita a oferta, influenciando o abastecimento nacional e os preços pagos ao produtor.

No mercado internacional, o clima também é acompanhado com atenção. Após a safra 2025/26, a produção mundial de soja praticamente igualou o consumo, reduzindo a margem de segurança dos estoques globais. No milho, embora a oferta permaneça confortável no curto prazo, a demanda segue aquecida, impulsionada pela produção de proteínas animais e pelo setor de etanol, mantendo o risco climático no radar.

Diante desse cenário, produtores do Alto Uruguai devem acompanhar atentamente as previsões meteorológicas nos próximos meses. O monitoramento constante das condições climáticas e o planejamento das operações no campo serão fundamentais para reduzir riscos e aproveitar as melhores janelas de plantio, em um momento em que o comportamento do clima poderá ser decisivo para o desempenho da próxima safra.

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