TECNOLOGIA | DEFESA NACIONAL

Drones de ataque criados por estudantes da UFSC passam por testes e são pré-qualificados pelo Exército

Quatro sistemas desenvolvidos pela startup Vultis Industries, de Joinville, avançaram no processo conduzido pela Diretoria de Fabricação; resultado não significa compra imediata, mas permite participação em futuras etapas de aquisição ou desenvolvimento

Por Redação/NDMais Publicado em 20/09/2026 14:34 - Atualizado em 20/09/2026 22:19

Uma empresa criada por estudantes de Engenharia Aeroespacial da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Joinville, conseguiu colocar quatro sistemas de drones de ataque entre os equipamentos pré-qualificados pelo Exército Brasileiro. Os modelos são desenvolvidos pela Vultis Industries, startup catarinense voltada à tecnologia de defesa.

Foto: Capitão Edvaldo e Vultis Industries

O resultado do chamamento conduzido pela Diretoria de Fabricação do Exército foi divulgado em julho. Ao todo, segundo informações do setor, 84 sistemas foram apresentados, 32 chegaram aos testes práticos e 12 foram pré-qualificados, pertencentes a sete empresas. A Vultis aparece com quatro equipamentos nessa relação.

A classificação, entretanto, não representa uma compra já realizada pelo Exército. Significa que os equipamentos atenderam às exigências dessa etapa e poderão ser considerados em processos futuros de aquisição, desenvolvimento ou produção.

Quatro modelos da família URUBU-X

Os equipamentos selecionados pertencem à família URUBU-X, desenvolvida com uma arquitetura comum de eletrônica, software embarcado e sistema de controle.

São quatro versões: X10B e X15B, destinadas ao lançamento de cargas, e X10K e X15K, plataformas de efeito terminal, nas quais o próprio equipamento é empregado contra o alvo. A fabricante informa que as quatro variantes utilizam a mesma base de engenharia, com diferentes capacidades de carga.

A tecnologia é apresentada pela empresa como desenvolvida no Brasil, incluindo engenharia e software nacionais.

Projeto saiu da universidade

Foto: Vultis Industries/Reprodução

A origem da Vultis chama atenção pela idade da empresa e de seus fundadores. O projeto nasceu em Joinville a partir de estudantes ligados ao curso de Engenharia Aeroespacial da UFSC.

A Fiesc informou, durante a SC ExpoDefense 2026, que a startup foi criada por cinco alunos do curso. Na ocasião, a empresa também apresentou um projeto de drone interceptador desenvolvido com arquitetura e engenharia nacionais.

A Vultis mantém suas atividades em Joinville e trabalha com sistemas aéreos não tripulados, interceptação e plataformas de comando e controle.

Tecnologia já foi apresentada às Forças Armadas

Foto: Vultis Industries/Reprodução

Antes da pré-qualificação, representantes da Diretoria de Fabricação do Exército conheceram os projetos da empresa durante a SC ExpoDefense, realizada em maio.

No fim de junho e início de julho, a Vultis também participou da Operação Furnas 2026, exercício dos Fuzileiros Navais realizado em Minas Gerais. Na ocasião, apresentou os modelos URUBU-X10B e URUBU-X15B em demonstrações com lançamento de munições fumígenas.

A pré-qualificação agora coloca os projetos desenvolvidos em Santa Catarina dentro de um processo formal de avaliação do Exército. Ainda não há garantia de contrato ou encomenda, mas os quatro sistemas seguem habilitados para possíveis etapas futuras, transformando um projeto surgido no ambiente universitário de Joinville em uma tecnologia sob avaliação para emprego na área de defesa brasileira.