MEIO AMBIENTE
Descarte irregular de lixo cresce em Erechim e fiscalização intensifica combate aos infratores
Aumento dos flagrantes preocupa autoridades pelos impactos ambientais, riscos à saúde pública e prejuízos aos cofres públicos; monitoramento por câmeras e denúncias da população têm ampliado a identificação dos responsáveis.
O aumento dos flagrantes de descarte irregular de lixo e resíduos em áreas urbanas e rurais de Erechim acendeu um alerta preocupante. Mais do que comprometer a paisagem da cidade, essa prática ameaça o meio ambiente, a saúde pública e gera prejuízos que acabam sendo pagos por toda a população.
De acordo com a Diretoria de Fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, os casos registrados envolvem principalmente entulhos da construção civil, móveis, eletrodomésticos, lixo doméstico e resíduos industriais abandonados em terrenos baldios, margens de estradas, áreas verdes, espaços públicos e até mesmo em cursos d’água. O impacto é direto: contaminação do solo e dos recursos hídricos, proliferação de insetos e roedores transmissores de doenças, entupimento de sistemas de drenagem e aumento dos riscos de alagamentos.

Segundo o secretário de Meio Ambiente, Cristiano Moreira, cada descarte irregular gera um efeito em cadeia que afeta toda a comunidade. Além dos danos ambientais, a remoção desses resíduos exige investimentos significativos do poder público. Recursos que poderiam ser aplicados em projetos de preservação, recuperação ambiental e melhoria da qualidade de vida acabam sendo destinados à limpeza de áreas degradadas pela ação irresponsável de poucos.
O crescimento dos flagrantes está diretamente ligado à ampliação da fiscalização por meio do Projeto Fiscalização Inteligente, implantado em agosto de 2024. O sistema utiliza câmeras móveis de videomonitoramento instaladas em pontos estratégicos para registrar, de forma contínua, as infrações ambientais. As ações também contam com a colaboração da população, por meio de denúncias realizadas nos canais oficiais da Prefeitura.

Para o diretor de Fiscalização Ambiental, Rafael Zamboni, quem insiste em descartar resíduos de forma irregular está sujeito a penalidades severas. As multas variam de R$ 1.913,60 a R$ 5 mil, além da obrigação de recolher e dar destinação correta aos materiais descartados. Dependendo da gravidade da infração e dos danos causados, também podem ser aplicadas sanções civis e criminais.
A expectativa da Secretaria de Meio Ambiente é que o fortalecimento da fiscalização, aliado às ações de educação ambiental e ao engajamento da comunidade, reduza significativamente os casos registrados. Mais do que punir infratores, o objetivo é promover uma mudança de comportamento capaz de proteger os recursos naturais e garantir uma cidade mais limpa, segura e saudável para todos.

Cristiano Moreira destaca que Erechim foi pioneira no país na implantação desse modelo de monitoramento ambiental, viabilizado por meio de parceria com o Conselho Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (COMPAM). Para ele, a tecnologia é uma ferramenta importante para identificar e responsabilizar quem polui, mas a verdadeira transformação depende da participação de cada cidadão. “O descarte consciente é um compromisso coletivo. Quando cada pessoa faz a sua parte, a coleta seletiva funciona, os resíduos são reciclados corretamente e a cidade inteira ganha em qualidade de vida”, reforça.
Denúncias e informações podem ser obtidas pelo telefone (54) 3520-7007.
Fotos: SMMA PME