Coral Veneto Stella Alpina mantém viva a herança italiana através da música e da união entre gerações

Grupo nasceu da saudade das tradições dos imigrantes italianos e, décadas depois, segue emocionando comunidades, preservando a cultura do Vêneto e buscando novas vozes para continuar sua história.

Por Redação Publicado em há 2 horas

O Coral Veneto Stella Alpina nasceu muito mais do que de encontros musicais. Surgiu do coração de famílias italianas que se recusavam a deixar morrer a própria história. Em uma época marcada pela saudade da terra dos antepassados, dos costumes, da língua e das tradicionais noites de filó, um grupo de amigos decidiu transformar a nostalgia em união, amizade e canto. Assim começaram os primeiros encontros do coral, realizados nas casas dos integrantes, onde vozes se misturavam às memórias, às risadas e às histórias herdadas de pais e avós.

Entre os pioneiros que deram vida a esse sonho estavam Vitório Romani, Amélio Viero, Olimpio Durli, Alice Durli, Janndir Durli, Edir Durli, Ady Trombini, Antonio Angoneze, Osvaldo Trombini, Atílio Zanella, Ivo Bernardi, Odila Colla, Nirce Bernardi, Dionisio Mingotti, Ivani Mingotti, Teodolinda Zanella, Elirio Toldo, Reinaldo Centenaro, Vilza Moretto e Luiz Poletto, entre tantos outros que ajudaram a construir uma história baseada no amor às raízes italianas e no fortalecimento dos laços comunitários.

Nos primeiros anos, o coral era simples, mas carregado de significado. Não havia preocupação com formalidades ou grandes estruturas. O que movia aqueles encontros era o desejo genuíno de preservar a cultura italiana através da música, da convivência e do sentimento de pertencimento. Em cada ensaio, em cada canção entoada, permanecia viva a memória dos imigrantes que atravessaram o oceano carregando esperança, coragem e tradição.

O Coral Veneto Stella Alpina também nasceu rompendo barreiras para a época. Diferente de muitos grupos culturais formados exclusivamente por homens, o coral abriu espaço para a participação ativa das mulheres, fortalecendo ainda mais a união entre famílias e transformando o canto em um elo coletivo de identidade e afeto.

O nome escolhido pelo grupo carrega um profundo significado histórico e emocional. “Veneto” homenageia a região do Vêneto, na Itália, origem da maioria dos imigrantes que colonizaram a comunidade e deixaram um legado cultural que atravessa gerações. Já “Stella Alpina”, conhecida como Edelweiss, representa uma flor típica das regiões alpinas europeias, símbolo de pureza, resistência, coragem e amor pelas origens. Por florescer em lugares altos e de difícil acesso, ela simboliza a perseverança dos imigrantes italianos que, com trabalho árduo e união, construíram uma nova vida longe da terra natal.

Hoje, décadas depois de sua fundação, o coral segue emocionando e mantendo viva essa herança cultural. Atualmente, são 36 integrantes ativos, que participam semanalmente dos ensaios e levam apresentações para diversas cidades da região, além de já receberem convites para apresentações em outros estados. Mais do que um grupo musical, o Coral Veneto Stella Alpina se tornou um símbolo de resistência cultural, memória afetiva e orgulho das origens italianas.

Os encontros acontecem semanalmente e vão muito além da preparação musical. O grupo também promove reuniões de convivência e, uma vez por mês, realiza aulas de italiano com professora especializada, garantindo que as músicas sejam interpretadas com fidelidade à língua e à tradição dos antepassados.

Segundo o maestro Douglas Vanzo, o grande sonho para o futuro é garantir que o coral continue sendo guardião da língua, das tradições e da identidade italiana através do canto coral. Ele destaca que boa parte dos integrantes possui mais de 60 anos e carrega consigo uma vida inteira de histórias, experiências e dedicação à cultura italiana. Ao mesmo tempo, reforça o desejo de ver novas gerações assumindo esse legado, permitindo que o coral continue sendo uma ponte viva entre o passado que orgulha a comunidade e o futuro que ainda será construído.

A presidente do coral, Ilse Fontana, acredita que preservar um coral é também preservar sua função social e comunitária. Para ela, o grupo precisa continuar evoluindo artisticamente, renovando repertórios e despertando o interesse de novas vozes, sem jamais perder aquilo que sempre foi sua essência: o prazer de cantar em grupo, compartilhar emoções e manter viva a união entre pessoas que encontram na música um motivo para seguir celebrando suas raízes.

Mais do que músicas italianas, o Coral Veneto Stella Alpina mantém viva uma herança de amor, pertencimento e memória. Cada apresentação é um reencontro com a própria história. Cada voz que se une ao coral ajuda a garantir que as tradições deixadas pelos imigrantes italianos continuem ecoando pelas próximas gerações.

Grupo promove neste sábado (16), em Erechim, o V Encontro de Coros

Décadas depois, o grupo segue mantendo viva essa herança cultural e promove, neste sábado (16), mais uma grande celebração das tradições italianas. O V Encontro de Coros será realizado na Paróquia São Pedro, em Erechim, reunindo dez corais em uma programação marcada pela música, integração e valorização cultural.

Após as apresentações, a programação continua com jantar-baile no Ginásio Poliesportivo do bairro Copas Verdes, proporcionando um momento especial de confraternização entre os grupos participantes, familiares e a comunidade. O evento reforça o propósito do coral de unir pessoas através da música e preservar costumes que atravessam gerações.