Cientistas brasileiros ganham destaque global na pesquisa contra o Alzheimer

Pesquisadores da UFRJ e da UFRGS são premiados internacionalmente por avanços no estudo da doença, um dos maiores desafios da medicina atual.

Por Redação/Agência Brasil Publicado em há 8 horas

Dois pesquisadores brasileiros têm ganhado destaque internacional na busca por novas formas de entender e tratar o Alzheimer. Mychael Lourenço (UFRJ) e Wagner Brum (UFRGS) foram premiados por organizações estrangeiras por seus avanços no estudo da doença, que ainda não tem cura e possui tratamentos limitados.

O Alzheimer afeta cerca de 40 milhões de pessoas no mundo, sendo aproximadamente 2 milhões no Brasil, e causa perda de memória, além de comprometer progressivamente o raciocínio e a autonomia dos pacientes.

As pesquisas apontam que o acúmulo de proteínas no cérebro, como a beta-amiloide e a tau, está ligado à doença, mas a remoção dessas substâncias ainda não foi suficiente para revertê-la, indicando que há lacunas no entendimento científico.

Os estudos brasileiros buscam justamente preencher essas lacunas, investigando por que algumas pessoas desenvolvem a doença e outras não, além de testar estratégias para estimular mecanismos naturais do cérebro que possam impedir o acúmulo dessas proteínas.

Pesquisadores brasileiros também avançam no diagnóstico precoce do Alzheimer, buscando identificar a doença antes do surgimento dos sintomas. Estudos coordenados por Mychael Lourenço investigam biomarcadores no sangue para verificar se padrões observados em outros países também se aplicam à população brasileira, além de possíveis características específicas.

© Fernando Frazão/Agência Brasil

A ideia é detectar a enfermidade ainda em fase inicial, quando ela já está em desenvolvimento, mas sem sinais evidentes, aumentando as chances de controle antes de danos irreversíveis ao cérebro. Segundo o pesquisador, interromper a progressão nesse estágio pode ser mais viável do que tratar casos avançados.

Essa linha de pesquisa também impulsiona o trabalho de Wagner Brum, jovem cientista da UFRGS, que se destaca internacionalmente estudando biomarcadores. Com trajetória iniciada ainda na escola, ele hoje integra um grupo especializado em Alzheimer e reforça o papel da ciência brasileira na busca por respostas sobre a doença.

O principal destaque do pesquisador Wagner Brum foi o desenvolvimento de protocolos para viabilizar o uso clínico de um exame de sangue capaz de diagnosticar o Alzheimer por meio da proteína p-tau217, um biomarcador da doença. O teste já demonstrou alta precisão, mas exigia critérios de interpretação — especialmente para casos intermediários —, etapa que foi estruturada pelo cientista.

Foto: AAIC/Divulgação

O protocolo aumentou a confiabilidade do exame e já é utilizado em laboratórios na Europa e nos Estados Unidos. No Brasil, porém, a tecnologia ainda é restrita à rede privada, enquanto pesquisas seguem para viabilizar sua adoção no SUS e ampliar o acesso ao diagnóstico.

Atualmente, o Alzheimer é identificado principalmente por avaliação clínica e exames de imagem, que não são totalmente específicos. Métodos mais precisos, como análise de líquor e PET-CT, são caros e pouco acessíveis, o que reforça o potencial do exame de sangue como alternativa mais simples e eficaz.

Testes já estão em andamento no Rio Grande do Sul para validar a aplicação em larga escala. A expectativa é que, no futuro, biomarcadores permitam detectar a doença ainda antes dos sintomas, aumentando a precisão diagnóstica e orientando melhor o tratamento dos pacientes.