ELEIÇÕES 2026 | PROBLEMA NO EXTERIOR
Brasileiros chegam para votar em Londres e descobrem que seção eleitoral fica a 600 km
Pelo menos 50 eleitores foram afetados e não conseguiram votar neste domingo; registros apareciam vinculados a Edimburgo, na Escócia
Brasileiros que compareceram às urnas neste domingo (4), em Londres, tiveram uma surpresa ao consultar o local onde deveriam votar. Pelo menos 50 eleitores que vivem na capital inglesa descobriram que estavam registrados em Edimburgo, na Escócia, a cerca de 600 quilômetros de distância.

O problema impediu esses eleitores de participar do primeiro turno da eleição presidencial. Segundo apuração da CNN Brasil, foi o principal incidente registrado durante a votação na capital britânica. A organização local informou que os casos foram formalizados e deverão ser encaminhados à Justiça Eleitoral responsável pelo voto dos brasileiros no exterior.
A situação ocorreu justamente na primeira eleição presidencial em que Edimburgo conta com uma estrutura própria de votação. Até 2022, brasileiros registrados no Reino Unido votavam em Londres. Para 2026, o sistema foi reorganizado e o país passou a contar também com votação na capital escocesa. Mais de 37 mil brasileiros estavam aptos a votar no Reino Unido neste domingo.
Eleitores dizem que não pediram transferência
Entre os atingidos estão brasileiros que afirmam morar em Londres e não terem solicitado a transferência do título para Edimburgo.
Um dos casos relatados à CNN é o de um eleitor que chegou a Londres depois de mais de 20 horas de viagem, vindo da Indonésia, e somente no local descobriu que seu título estava vinculado à capital escocesa. Ele afirmou que não havia solicitado a mudança.
Sem possibilidade de percorrer a distância até Edimburgo a tempo, os eleitores acabaram sem votar.
Justiça Eleitoral explica mudança de jurisdição
A explicação apresentada pela Justiça Eleitoral traz uma diferença em relação à versão de que teria ocorrido simplesmente uma transferência aleatória.
Segundo manifestação encaminhada à CNN, antes de 2022, Escócia, Irlanda do Norte e Manchester estavam vinculadas à jurisdição consular de Londres. Como não havia votação nesses locais, os eleitores eram direcionados para seções agregadas na capital inglesa.
A criação do Consulado-Geral do Brasil em Edimburgo modificou essa divisão. Escócia, Irlanda do Norte e Manchester passaram para a jurisdição da nova repartição consular.
Ao verificar os casos deste domingo, a Justiça Eleitoral informou ter constatado que alguns eleitores, apesar de residirem em Londres, tinham anteriormente escolhido como local de votação uma dessas localidades. Com a reorganização consular, esses registros teriam sido transferidos para Edimburgo.
A legislação eleitoral estabelece que o cadastro dos brasileiros residentes no exterior fica sob responsabilidade da Zona Eleitoral do Exterior, situada no Distrito Federal. Para a eleição presidencial de 2026, o eleitor no exterior precisava ter regularizado sua inscrição até 6 de maio.
O episódio agora deverá ser analisado pela Justiça Eleitoral, principalmente diante dos relatos de eleitores que afirmam morar em Londres e dizem não ter solicitado qualquer alteração de seu local de votação.