EDUCAÇÃO

Brasil registra queda de 1 milhão de alunos na educação básica, maior recuo em 20 anos

Censo Escolar aponta redução no ensino médio público, mas crescimento no tempo integral e melhora no fluxo escolar

Por Redação AU Publicado em 26/02/2026 20:43 - Atualizado em 26/02/2026 21:51

O Brasil registrou a maior queda no número de matrículas da educação básica nas últimas duas décadas. Dados do Censo Escolar 2025, divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Ministério da Educação, mostram redução significativa no total de estudantes, com destaque para o ensino médio da rede pública, que perdeu cerca de 425 mil matrículas em relação a 2024. No ano passado, eram 6,7 milhões de alunos matriculados; em 2025, o número caiu para 6,3 milhões.

Ao todo, o país contabilizou 7.370.879 estudantes no ensino médio em 2025, sendo 6.334.224 na rede pública e 1.036.655 na rede privada. Durante a apresentação dos dados, o ministro Camilo Santana afirmou que a redução está ligada à queda populacional na faixa etária e à melhora no fluxo escolar, com menos retenção e diminuição da distorção idade-série.Segundo ele, a cobertura tem crescido e o resultado é considerado positivo.

Foto: Ascom/Seduc

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os alunos estão repetindo menos, o que evita o “inchaço” do sistema. Regionalmente, o Sudeste concentra o maior número de matrículas no ensino médio (2,98 milhões), seguido pelo Nordeste (2,06 milhões). O Sul soma 971,7 mil estudantes, enquanto Norte e Centro-Oeste registram 769,8 mil e 584,6 mil, respectivamente.

Na contramão da queda geral, o ensino médio integral público cresceu cerca de 130 mil matrículas e alcançou 1.695.425 estudantes em 2025. A modalidade atingiu 26,77% das matrículas, superando pela primeira vez a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que previa ao menos 25% dos alunos da rede pública em tempo integral. Considerando toda a educação básica, o índice chegou a 25,8%.

O PNE, cuja vigência foi prorrogada até a aprovação de um novo plano pelo Congresso, também estabelece metas para creches. Nesse segmento, o número de matrículas ficou praticamente estável: 4.182.646 crianças de 0 a 3 anos estavam matriculadas em 2025, leve recuo em relação ao ano anterior. A taxa de atendimento subiu de 39,8% para 41,8%, mas ainda está abaixo da meta anterior de 50%.

O novo texto do PNE em análise no Senado amplia a meta para 60% das crianças de até três anos matriculadas em creches. Os dados reforçam desafios estruturais da educação brasileira, ao mesmo tempo em que apontam avanços no fluxo escolar e na ampliação do ensino em tempo integral.

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