REUNIÃO DO COPOM

Banco Central reduz Selic para 14,5%, mas alerta acende diante de cenário global instável

Corte de 0,25 ponto segue expectativa do mercado, enquanto guerra no Oriente Médio e inflação pressionam decisões futuras

Por Redação AU Publicado em 29/04/2026 19:03 - Atualizado em 29/04/2026 19:06

O Banco Central voltou a reduzir a taxa básica de juros nesta quarta-feira (28), levando a Selic para 14,5% ao ano. A decisão, unânime mesmo com um colegiado reduzido, confirmou o que o mercado já esperava — mas veio acompanhada de um sinal claro de cautela diante de um cenário internacional cada vez mais incerto.

Diretores do BC encerram nesta quarta a reunião do Copom. (Foto: Raphael Ribeiro/BCB)

O principal fator de preocupação está fora do país. O avanço do conflito no Oriente Médio tem impactado diretamente o ambiente econômico global, afetando cadeias de suprimentos e pressionando preços de commodities. Esse contexto amplia os riscos para a inflação e limita o espaço para cortes mais agressivos nos juros nos próximos meses.

Dentro do Brasil, as expectativas também se deterioram. O próprio Banco Central revisou suas projeções e agora prevê uma inflação de 4,6% em 2026 — acima do teto da meta. Esse movimento reforça o desafio da autoridade monetária: equilibrar o estímulo à economia sem perder o controle sobre a alta dos preços.

Embora investidores ainda enxerguem possibilidade de novas reduções ao longo do ano, o ritmo tende a ser mais lento e cauteloso. O recado do Copom é direto: qualquer avanço dependerá da evolução do cenário externo e do comportamento da inflação, que segue no centro das atenções.

A decisão também ocorreu em um contexto incomum, com o comitê operando com apenas seis integrantes devido a ausências e cargos ainda não preenchidos. Mesmo assim, o resultado reforça uma postura técnica e alinhada, em um momento em que cada movimento nos juros carrega impactos diretos no crédito, no consumo e no dia a dia dos brasileiros.

Para a população, o efeito é concreto: juros ainda elevados significam crédito caro, mas também representam um esforço para conter a inflação. O equilíbrio entre esses dois pontos será decisivo nos próximos meses — e acompanhar esse cenário é essencial para entender os rumos da economia do país.

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