MOVE AGRÍCOLA
Agricultores de todo o Brasil vão ganhar R$ 10 bilhões de crédito para comprar máquinas
Durante a Agrishow, vice-presidente anunciou o programa Move Agrícola, ampliação do seguro rural e renegociação de dívidas do setor
O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou neste domingo (26) uma nova linha de crédito de R$ 10 bilhões destinada à modernização de máquinas e implementos agrícolas. A medida foi apresentada durante a abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), e integra uma nova modalidade do programa MOVE Brasil voltada ao setor agropecuário. Os recursos poderão financiar tratores, colheitadeiras e outros equipamentos, com liberação prevista em até três semanas e juros mais baixos.
Segundo Alckmin, o crédito será operado pela Finep, diretamente ou por meio de cooperativas, bancos privados e o Banco do Brasil. Ele também adiantou que o governo prepara um programa de renegociação de dívidas rurais, que deve atender tanto produtores inadimplentes quanto aqueles em dia, com o objetivo de ampliar a capacidade de investimento e fortalecer a competitividade no campo.
A iniciativa segue o modelo já adotado para renovação da frota de caminhões, lançado no início do ano e esgotado em cerca de 60 dias. Nesta nova fase, os recursos virão do superávit do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com foco em inovação, pesquisa e conteúdo nacional. Pela primeira vez, cooperativas agrícolas poderão acessar diretamente o crédito da Finep para investir também em soluções de agricultura digital.

Quem tem direito ao crédito Move Agrícola
• Produtores Rurais: Pessoas físicas (agricultores familiares, médios e grandes produtores) e pessoas jurídicas com atividade rural comprovada.
• Cooperativas e Associações: Entidades que representam produtores e necessitam de renovação de maquinário para uso coletivo ou repasse.
• Setor Sucroalcooleiro: Empresas e produtores ligados à cadeia da cana-de-açúcar, diretamente beneficiados pelas medidas ambientais e de mistura de etanol.
• Situação Cadastral: O programa atenderá tanto os adimplentes (para novas compras) quanto os inadimplentes (via renegociação prévia ou simultânea).
Como solicitar o Move Agrícola
• Definição do Equipamento: O primeiro passo é escolher a máquina ou implemento desejado e solicitar um orçamento em uma concessionária ou revenda autorizada.
• Elaboração do Projeto: Para linhas com a Finep e Banco do Brasil, é necessário apresentar um projeto técnico ou proposta de financiamento, muitas vezes elaborado com o auxílio de empresas de assistência técnica rural (como Emater) ou consultorias.
• Documentação Exigida: Reunir documentos pessoais, comprovante de atividade rural (como a Declaração de Aptidão ao Pronaf – DAP, Cadastro Ambiental Rural – CAR ou documentação da propriedade) e o orçamento da máquina.
• Busca pela Instituição: Procurar uma agência do Banco do Brasil ou parceiros credenciados pela Finep para dar entrada no pedido.
• Análise e Aprovação: A instituição financeira fará a análise de crédito, avaliando a capacidade de pagamento e as garantias (que geralmente envolvem a própria máquina financiada) para liberar os recursos.
Renegociação de dívidas e novo seguro rural
Além dos recursos para maquinário, o governo confirmou que está em elaboração um amplo plano focado nos passivos dos agricultores. As medidas de renegociação contemplarão tanto produtores adimplentes quanto os inadimplentes, permitindo a reorganização das contas das propriedades afetadas por oscilações climáticas ou de mercado.
A reformulação do seguro rural foi outro compromisso assumido por Alckmin. A pressão por melhorias no sistema foi reforçada pelo deputado Arnaldo Jardim, vice-presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agricultura), que alertou que a atual cobertura abrange apenas 7,8% da área plantada nacional. A garantia de expansão, contudo, respeitará os limites da responsabilidade fiscal do Executivo.
Isenção de impostos e impactos da reforma tributária
A competitividade internacional do setor também ganhou destaque. O agronegócio deve ser impulsionado pela entrada em vigor, a partir de 1º de maio, do benefício de tarifa zero sobre mais de 500 produtos, ampliando a capacidade de exportação brasileira. Em paralelo, a consolidação da reforma tributária trará a desoneração total das exportações. Segundo o vice-presidente, este cenário tributário visa atrair de forma direta novos investimentos para a infraestrutura nacional e acelerar o crescimento do PIB.
Política monetária e mudanças no etanol
No âmbito macroeconômico, Alckmin explicou que o Banco Central atua no momento na “calibração” das taxas de juros. A pausa no processo de flexibilização estaria relacionada, entre outros fatores, aos reflexos da guerra envolvendo o Irã no cenário internacional.
Por fim, o governo reiterou o impacto positivo do aumento na mistura de etanol à gasolina, de 30% para 32%. A medida pretende conter disparadas no preço dos combustíveis fósseis, incentivar a geração de empregos na indústria sucroalcooleira e reforçar os compromissos ambientais brasileiros.