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Mundo
EUA autorizam uso de Remdesivir para tratar pacientes com COVID-19
O anúncio foi feito pelo presidente Donald Trump na tarde desta sexta-feira (1º).
Veja
por  Veja
01/05/2020 17:21 – atualizado há 29 dias
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A FDA, agência americana que regula medicamentos, autorizou nesta sexta-feira 1 o uso emergencial do Remdesivir para tratamento de pacientes com Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. O antiviral experimental ainda está sendo testado, mas um novo estudo apontou que ele acelera a recuperação de pacientes internados. Reportagem de capa de VEJA detalhou as pesquisas com o remédio.

De acordo com dados preliminares de um estudo realizado pelos Institutos Nacionais da Saúde (NIH, na sigla em inglês) mostrou que pacientes em estado clínico de média e alta gravidade tratados com remdesivir se recuperaram em cerca de 11 dias, contra 15 dias para aqueles que receberam o placebo. O medicamento, desenvolvido pelo laboratório americano Gilead Sciences Inc., foi administrado por via intravenosa, durante dez dias.

A pesquisa, que começou no dia 21 de fevereiro, contou com a participação de 1.063 pacientes. Os participantes foram divididos em dois grupos: um que recebeu o tratamento (chamado grupo de intervenção) e outro, o placebo (grupo controle). Os resultados indicam que os pacientes que receberam remdesivir tiveram um tempo de recuperação 31% mais rápido do que aqueles que receberam o placebo. A recuperação foi definida como alta hospitalar ou retorno ao nível normal de atividade.

Além disso, parece haver um benefício de sobrevivência, com uma taxa de mortalidade de 8% para o grupo que recebeu remdesivir e de 11,6% para o grupo placebo. A grande vantagem é que, ao contrário do estudos anteriores, que não respeitavam os rigorosos moldes exigidos pela boa medicina, o novo estudo seguiu todos os protocolos. Ou seja, segue o padrão “duplo-cego” randomizado, em que ambas as partes – médico e paciente – trabalham com desconhecimento do remédio oferecido e os doentes são divididos aleatoriamente nos dois grupos.

Em coletiva de imprensa realizada quarta-feira 29, Anthony Fauci, chefe do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, alertou que os resultados do estudo ainda precisam ser revisados ​​adequadamente, mas expressou otimismo de que o remdesivir possa se tornar “o padrão de atendimento” para pacientes com Covid-19.

Ainda segundo Fauci, o estudo é a prova “de que o medicamento pode bloquear esse vírus” e comparou a descoberta com a chegada dos primeiros anti-retrovirais aprovados contra o HIV na década de 1980. O atazanavir, por exemplo, foi aprovado mediante a apresentação de resultados modestos de seu potencial no combate ao HIV.

O remdesivir pode não significar o fim da pandemia nem ser indicado para todos os pacientes, mas já é uma esperança. Desde o início da epidemia, o medicamento é considerado um dos candidatos mais promissores a tratamento contra a Covid-19. Em fevereiro, o consultor sênior da Organização Mundial da Saúde (OMS), o canadense Bruce Aylward, alocado na China, alertou: “Há apenas uma droga com real eficácia contra a Covid-19. É o remdesivir.”

Vale ressaltar que a a autorização emergencial concedida pela FDA não equivale a uma aprovação formal do medicamento. Quando há uma emergência de saúde pública, a agência está autorizada a aprovar certos medicamentos ou testes para atender à essa emergência se não houver outras alternativas. É o caso do coronavírus, uma vez que té o momento não foi comprovado nenhum medicamento que seja eficaz contra o vírus.

Remdesivir

O remdesivir é um antiviral que atua bloqueando a replicação do vírus. Criado em laboratório há oito anos, inicialmente sua eficácia foi avaliada no combate ao surto de Mers, a síndrome respiratória por coronavírus, identificada na Arábia Saudita. Depois, foi usado como terapia em casos africanos de ebola, na Guiné, Serra Leoa e Libéria, entre 2013 e 2016. Nos episódios da Mers, verificou-se em laboratório uma freada na multiplicação do vírus. Com o ebola, o resultados de testes em humanos foram considerados decepcionantes.

No caso do novo coronavírus, ensaios realizados no início da epidemia indicavam um potencial do tratamento na recuperação de pacientes graves. Entretanto, esses estudos não seguiam a metodologia exigida para garantir, com segurança, a eficácia do medicamento.

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