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Dias de Campo mostram tecnologias e expressam preocupação do setor
- Por Ivan Ramos - Diretor executivo da Fecoagro
Ivan Ramos/Fecoagro
por  Ivan Ramos/Fecoagro
24/02/2020 13:31 – atualizado há 28 dias
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O Tecnoeste realizado na última semana em Concórdia encerrou o ciclo de Dias de Campo deste ano nas cooperativas de SC. Mais uma vez os eventos mostram a pujança do agronegócio e o avanço das tecnologias utilizadas no meio rural, e como sempre com novidades em máquinas, equipamentos, insumos, serviços e tudo aquilo que tem a ver com a atividade rural e, em muitos casos, com o setor urbano.

Todos os eventos com sucesso, e cada um com suas características, focando o produtor rural da sua região, que em SC é bastante diversificada, não apenas nas culturas ou criações, mas também no porte dos produtores rurais. De alguns anos para cá tem havido uma reestruturação na realização desses eventos, onde algumas cooperativas adotaram o sistema de datas alternadas, isto é, um ano sim e outro não, para reduzir os gastos na organização e também no trabalho que essa realização ocasiona.

De outra parte se concluiu que o número de visitantes tem se ampliado progressivamente, e o uso das novas tecnologias apresentadas tem aumentado que, segundo seus organizadores, além de proporcionar aumento da produtividade no campo, tem reduzido o esforço físico do agricultor com máquinas cada vez mais automatizadas e modernas.

Mas os Dias de Campo não focaram apenas em apresentar novas tecnologias e realizar negócios com preços especiais para os produtos demonstrados. Também tem sido um espaço para reclamações, denúncias e reivindicações do setor agropecuário. A infraestrutura logística tem se destacado como reclamação principal das cooperativas e seus parceiros na cadeia produtiva. As estradas que cortam SC estão em péssimas condições, dificultando o transporte da produção e dos insumos, encarecendo os preços finais na cadeia. Críticas constantes foram feitas em todos os Dias de Campo nesse particular.

Outras dificuldades burocráticas, provocadas pelos órgãos de controle, reguladores ou ambientais também têm sido queixas frequentes nos pronunciamentos oficiais dos eventos. A decisão do Governo do Estado em manter a proposta de tributação dos defensivos agrícolas, agora no âmbito do Confaz, foi outra manifestação crítica das lideranças cooperativistas e do agronegócio. Como se sabe em nível estadual se conseguiu sensibilizar o governo a não tributar ou retirar os incentivos dos agroquímicos até a reunião do Confaz que acontece em abril.

Pelas informações disponíveis, o Governo de SC pretende levar ao Confaz a proposta que defendeu aqui no Estado e que acabou perdendo no âmbito do Legislativo Estadual. Se levar a mesma proposta ao Confaz, fatalmente poderá lograr êxito, pois um voto discordante no órgão é o suficiente para derrubar incentivos, e isso parece ser a intenção do Governo SC.

Os reflexos podem ser mais abrangentes. Se cair lá no Confaz cai no país inteiro, e não apenas em SC como pretendia o atual governo no ano passado. É um consolo? Nem tanto, porque isso vai onerar os custos de produção e reduzir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. Quem vai pagar a conta? Primeiro o agricultor e, no final da ponta, o consumidor, e em âmbito internacional os produtos agrícolas serão afetados diretamente nas exportações.

Para SC isso representa muito, já que 70 por cento das exportações são de produtos advindos do agronegócio. Será que o Governo do Estado tem consciência disso? Cabe às entidades representativas dos agricultores e do agronegócio se mobilizarem e mostrarem às autoridades políticas e administrativas qual será a repercussão se os defensivos agrícolas passarem a ser tributados. Todos perderão. Pense nisso.

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