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RS tem aumento de 49% nos pedidos de aposentadoria de brigadianos em 10 meses
Tantas solicitações de encaminhamento à reserva é atribuída às reformas da previdência pelo governo federal e estadual.
GZH
por  GZH
20/12/2019 17:05 – atualizado há 2 meses
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Em 10 meses deste ano, o Rio Grande do Sul teve uma corrida de policiais militares à aposentadoria. O movimento, na avaliação de entidades de classe, é uma tentativa de evitar a perda de benefícios com a reforma da previdência e também está relacionado ao temor em razão das alterações em âmbito estadual.

Dados levantados pela Brigada Militar, por meio de pedido via Lei de Acesso à Informação (LAI) feito por GaúchaZH, mostram que os encaminhamentos de entrada na reserva por integrantes da corporação dispararam 49% na comparação entre 1° de janeiro e 20 de outubro de 2018 com o mesmo período de 2019. Ao todo, 629 agentes pediram a aposentadoria neste ano, contra 422 no ano passado.

Somente entre os oficiais (coronéis, tenente-coronéis, majores e capitães), o aumento de pedidos foi de 60% em 2019. Foram 48 solicitações de aposentadoria por oficiais em 2019, sendo 16 coronéis - o cargo mais alto da carreira. Ano passado, 30 oficiais solicitaram aposentadoria. O movimento atinge diretamente o quadro que tem o menor número de servidores da corporação e que ocupa posições estratégicas na gestão operacional da BM.

Fonte: SSP/RS

Apenas na comparação de 20 dias de outubro dos dois anos — entre o dia 1º e 20 — o salto nas solicitações foi de 257%. Os pedidos dispararam de 28 para 100 policiais, sendo cinco de oficiais. O período de outubro coincide com as vésperas da votação da reforma da previdência pelo Congresso Nacional e também com a a apresentação pelo governo Eduardo Leite (PSDB) do pacote que altera as carreiras de servidores públicos.

Entre os oficiais que pediram para entrar na reserva em 2019 está o coronel Mario Ikeda, então comandante-geral da BM, e o coronel Marcus Vinicius Sousa Dutra, ex-chefe do Estado-Maior, o número três na hierarquia da corporação.

O comandante-geral da BM, coronel Rodrigo Mohr Piccon, reconhece o aumento nas solicitações de aposentadorias. O oficial atenua que já está previsto para os próximos três anos o ingresso de 2,5 mil soldados e 200 novos capitães.

Mas devido ao baixo efetivo, Mohr organiza reforma administrativa na BM.

— Queremos aumentar nosso poder de trabalho. Estamos iniciando modernização estrutural e de processo de rotinas para transformar nossa administração em algo mais leve, com a necessidade de menos policiais. Estamos incrementando o uso da tecnologia e de aplicativos — adiantou o comandante.

A saída dos PMs do alto escalão preocupa Mohr, que afirma ter nos oficiais a parte essencial na gestão estratégica da tropa gaúcha, mas que a renovação do efetivo é natural.

Aumento de solicitações também na Polícia Civil
GaúchaZH também obteve dados que mostram o acréscimo de pedidos de aposentadoria na Polícia Civil. Entre 1º de janeiro e 20 de outubro de 2019, 263 servidores pediram para deixar os quadros. Em igual período do ano anterior,o número era de 231. O aumento foi de 13,8%.

Somente nos 20 primeiros dias de outubro de 2019, 22 policiais civis solicitaram aposentadoria, contra 11 no ano passado. Entre os 22, oito são delegados de polícia e 12 comissários, a última classe dos agentes que investigam crimes.

A chefe de polícia do Rio Grande do Sul, Nadine Anflor, também percebeu o movimento acelerado dos pedidos de aposentadoria. Segundo a delegada, a “corrida” se iniciou quando o dispositivo sobre aposentadoria especial para policiais na reforma da previdência federal começou ser discutido. Na avaliação dos servidores, o item trouxe insegurança jurídica para benefícios já adquiridos.

— Muitos dos que pediram seguiram trabalhando e, destes, muitos não querem ir embora. Querem apenas um aceno positivo de que irão assegurar os seus direitos — avaliou.

Ainda na avaliação da delegada, com a aprovação da reforma da previdência estadual, haverá mais segurança da garantia das regras existentes até então. O dispositivo de número 509 da reforma estadual, que fala sobre a garantia de integralidade de salário da aposentadoria de policiais civis, só deve ser votado em 2020.

Sobre efetivo, Nadine diz que "gostaria de ter muito mais", mas considera necessária avaliação realista.

— A Polícia Civil faz milagre com seu número de servidores. A recomposição ao longo dos próximos três anos é extremamente positiva. A realidade do nosso Estado não comporta mais do que isso — enfatizou.

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